Agora como parte da crew da Dawn Patrol, Bakka fala sobre aproximação com uma das maiores labels nacionais

Bakka, DJ e produtor boliviano radicado no sul do Brasil, rapidamente se destacou na cena eletrônica underground com faixas como “Make It Better” e “Closer”, que juntas ultrapassam 15 milhões de streams no Spotify. Com uma formação musical diversificada e apoio de nomes como Joris Voorn, Solomun e Hernan Cattaneo, lançou músicas por selos de prestígio como This Never Happened, Sprout, MoBlack e Ritter Butzke, mostrando uma identidade sonora única e multifacetada.

Sua trajetória inclui colaborações com artistas como Phonique, Gui Boratto, Antdot, Maz e Angelov, além de apresentações marcantes em clubs e festivais ao redor do mundo, como Ritter Butzke (Berlim), Greenvalley (Brasil) e até festas em cruzeiros. A sua aproximação recente da Dawn Patrol, de Maz e Antdot, impulsionou o trabalho do artista em países como Portugal e Espanha. Seus sets vem reforçando seu papel como um dos nomes mais versáteis e criativos da cena eletrônica atual.

A seguir, confira a conversa com ele sobre este momento especial.

House Mag: O seu som sempre foi bastante autoral e de um tempo pra cá é notório sua aproximação com músicas que transitam do melodic house ao afro house. Quando se deu essa mudança no estúdio?

Bakka: Essa virada começou há uns 2 ou 3 anos. Eu sempre gostei de testar coisas novas no estúdio, e com o tempo fui me conectando mais com sons que tinham groove, percussão, mas também uma vibe mais emocional. O afro house e o melodic house me deram esse espaço pra criar algo mais meu, com identidade, mas ainda bem voltado pra pista. Hoje é onde me sinto mais à vontade, mas sempre aberto a novas influências também.

HM: Você agora faz parte da crew da Dawn Patrol. Como tem sido essa aproximação com a label e a importância disso neste momento da carreira?

B: É muito simbólico pra mim. A Dawn Patrol representa algo maior do que uma gravadora — é uma casa artística. Estar nesse momento da carreira, onde posso ser eu mesmo, com total liberdade criativa, e ainda assim estar rodeado de pessoas que acreditam no mesmo propósito… é algo que me motiva demais. Tem sido uma troca real, honesta e cheia de escuta.

HM: Os membros da Dawn Patrol são uma grande família, além de excelentes DJs e produtores. Como eles têm sido importantes para você neste momento?

B: Demais. O Antdot é como um irmão – nos conhecemos quando cheguei no Brasil, e desde então nossa amizade só cresceu. O Maz e o Riascode são dois caras incríveis, engraçados, leves… e muito talentosos. Estar perto deles não é só inspirador, é também divertido. Isso torna o processo criativo mais natural, mais verdadeiro. E é esse tipo de energia que quero levar pra tudo que eu faço.

Bakka e Riascode na Dawn Patrol RJ

HM: Você está desde muito novo envolvido com a música, certo? Conte um pouco mais sobre a importância dela em sua vida e suas maiores referências.

B: Comecei com 13 anos, tocando ao lado do meu irmão Mau, em Santa Cruz de la Sierra. Aos 16 já produzia, e desde então a música virou minha forma de expressão. Já morei na França, no Brasil, viajei pra muitos lugares… e a música sempre esteve comigo.

Minhas referências vêm de vários cantos: do afro house, claro, mas também do techno, da música boliviana, brasileira e de tudo que carrego nas vivências. Gosto de artistas que têm identidade forte e que não têm medo de experimentar.

HM: Com tantos anos dedicados, você sente que atingiu o ponto de maturidade que sempre buscou ou ainda há um caminho a percorrer?

B: Acho que a maturidade artística é uma estrada, não um ponto de chegada. Me sinto muito mais consciente do que quero expressar hoje do que há alguns anos, mas ainda tenho muito a explorar. E isso é o que me move: não saber exatamente onde vou chegar, mas ter clareza de que estou no caminho certo

HM: Poucas pessoas sabem, mas você é boliviano! Quais diferenças você vê da cena brasileira para de seu país natal?

B: São cenas bem diferentes. A cena brasileira é muito mais estruturada e tem uma energia muito própria, quente, intensa, com uma cultura de pista muito forte. Na Bolívia, a cena ainda é pequena, mas tem crescido com muito esforço, paixão e vontade. Lá tudo é mais desafiador, então admiro muito quem faz acontecer por amor mesmo. Eu tento levar um pouco dessa força dos dois lugares na minha música.

HM: Quais spoilers podemos ficar sabendo sobre o restante de 2025 para o projeto Bakka?

B: Tem bastante coisa boa a caminho. Vêm alguns lançamentos pela Dawn Patrol e colaborações que me deixam muito empolgado — com o Antdot, Maz, Riascode, Phonique, FKA Mash, entre outros. Cada collab traz uma energia diferente e isso tem me motivado muito no estúdio. Além disso, sigo viajando com a música, conectando com novas culturas e levando meu som pra pistas ao redor do mundo. Prefiro não criar muita expectativa… mas pode esperar que vem pedrada.

Por Adriano Canestri

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