Innervisions: A importância de ter no Brasil uma plataforma que molda a alma da música eletrônica por duas décadas

Fundada em 2005 por Steffen Berkhahn (Dixon) e Kristian Rädle e Frank Wiedemann (Âme), a Innervisions se tornou um pilar fundamental da música eletrônica moderna. Com raízes em Berlim, a gravadora criou um universo audiovisual único que transcende gêneros, misturando house, techno e influências globais em um som evocativo e inovador. Nos últimos 20 anos, a Innervisions não apenas redefiniu os limites criativos da música eletrônica, mas também estabeleceu novos padrões de independência, arte e impacto cultural na indústria.

A Innervisions nasceu de uma visão compartilhada de seus fundadores para criar uma plataforma onde música e arte convergem. O nome da gravadora reflete sua essência: a crença de que a arte materializa ideias, evocando emoções e inspirando novos ciclos criativos. Essa filosofia guia a produção da Innervisions, que evita limitações rígidas de gênero e adota uma base melódica e emotiva. Faixas como “Rej”, da dupla Âme, segundo lançamento da gravadora em 2005, tornaram-se um clássico instantâneo, dominando pistas de house, techno e minimal. O sucesso da faixa demonstrou a capacidade da Innervisions de criar música atempora.

O som da gravadora é frequentemente descrito como melódico, com camadas arpejadas e elementos percussivos que transitam entre tech house, afro house, deep house e muitas outras camadas dentro da dance music. No entanto, Dixon e Âme rejeitam a ideia de um “som Innervisions” único. Em vez disso, priorizam a versatilidade, permitindo que seus lançamentos explorem influências diversas em uma profundidade emocional coesa e atinjam o maior número de pistas possíveis. A forma de entregar e construir as faixas da gravadora tiveram importante influência na sonoridade do techno melódico que veio a ser tendência mundial anos depois.

Ao longo de duas décadas, a Innervisions cresceu de um pequeno selo berlinense para uma força global, mantendo-se independente, além de ser referência enquanto marca para outros fenômenos que viriam a aparecer depois, como Afterlife e Keinemusik. Sua recusa em se conformar às normas da indústria, priorizando durabilidade em vez de sucessos momentâneos, garantiu sua relevância. Aliado ao sucesso da gravadora, o reconhecimento internacional de seus fundadores como grandes DJs e produtores era um processo natural. Hoje, Dixon e Âme são figuras centrais em line ups que acima de tudo prezam pela curadoria que entrega o inesperado para a pista. 

Por todos estes fatores, receber neste sábado, 18, o evento de comemoração de 20 anos da Innervisions é algo tão significativo para a cena brasileira, que está em franco crescimento. Ser um dos locais de comemoração de um selo e artistas tão importantes na construção de uma identidade sonora a nível global é algo a se valorizar. Por onde a Innervisions passa com sua crew, novas inspirações para criação surgem, roupagens de som diferentes podem ser sentidas e uma curadoria totalmente fora da caixa ouvida, pois esse é o ritmo e essência que carrega a plataforma.

O evento acontecerá no Vale do Anhangabaú, a partir das 17h com Eli Iwasa, Julya Karma, Trikk, Âme, Dixon b2b Jimi Jules e uma jam sessions especial.

Por Adriano Canestri

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