Música eletrônica em crescimento: festivais aumentam até 25% o público e streaming dispara no Brasil

O Brasil é destaque na música eletrônica mundial quando se trata de grandes eventos buscando edições aqui, clubes, label parties e festivais nacionais importantes, e DJs brasileiros influentes em nível global atraindo público nas principais cenas.

Entretanto, dentro do mercado brasileiro, há a impressão muitas vezes que outros gêneros mais populares como pagode, sertanejo, forró e funk são muito mais consumidos do que a música eletrônica pelos relatórios anuais de plays nos streamings. Mas, o que acontece no setor de festivais é o inverso. O relatório do Mapa dos Festivais no Brasil de 2025 apontou a música eletrônica como o 3° gênero que mais fez festivais, atrás apenas de multigênero e rock. Ou seja, muitos produtores estão arriscando e apostando na música eletrônica por ter um público muito amplo no Brasil.

O relatório assinado pela MIDiA Research apresentado no IMS Ibiza, mostra um panorama geral em diversos aspectos da dance music no mundo todo. Segundo a pesquisa, o mercado global cresceu 7% em 2025 e um dos principais fatores para isso foram os países do hemisfério sul ouvindo cada vez mais música eletrônica. O Brasil foi o 6° país no mundo que mais deu visualizações nos streamings. Analisando internamente, dentro das métricas usadas pela MIDiA, a música eletrônica é o 3° gênero mais ouvido no Brasil, atrás do latin* e do hip hop.

* entre os gêneros analisados pela MIDiA Research e apresentados na pesquisa há o que eles chamam de ‘’latin’’, que engloba todos os gêneros de origem latina. No Brasil, impulsionam esta categoria samba, pagode, forró, sertanejo, entre outros estilos populares de origem da América do Sul.

E como percebemos isso na cena atualmente?

Ano após ano, eventos internacionais têm buscado o Brasil pela primeira vez ou firmado por aqui uma espécie de sede na América (como por exemplo Time Warp e Tomorrowland), além de eventos nacionais como Só Track Boa e Abstract se fortalecendo e ampliando sua influência.

No último final de semana, vimos eventos por vários estados do Brasil com pista cheia. Diferentes propostas, diferentes vertentes da música eletrônica, e na maioria das vezes com retorno do público.

Nada melhor para exemplificar isso do que informações oficiais sobre números de alguns eventos do último fim de semana.

Time Warp: ~ 25 mil ingressos vendidos + aproximadamente 3 mil pessoas no after oficial

XXXPerience: ~ 25 mil ingressos vendidos 

Warung Day: mais de 20 mil ingressos vendidos

Abstract: mais de 17 mil ingressos vendidos (aumento em relação a ultima edição)

Greenvalley: vem de 5 sold outs seguidos, incluindo a última abertura com Alok

Laroc: ~ 5 mil pessoas na pista com Axwell 

Ame: ~ 3 mil ingressos vendidos para ver Korolova

BOMA Brasília: ~3 mil ingressos vendidos

Ainda segundo a apuração, confirmamos que os festivais Time Warp, Abstract, XXXPerience e Warung Day tiveram entre 10 e 25% de aumento no número de ingressos vendidos em relação às últimas edições, o que evidencia que mais pessoas estão buscando ingressar na cena eletrônica, além de uma base estabelecida para receber novos clubbers.

Ou seja, apenas com estes eventos, mais de 100 mil pessoas estiveram na rua para curtir música eletrônica no Brasil. Ainda tiveram eventos de psytrance e aberturas em outros clubes importantes, os quais não temos os dados oficiais de público até o momento da postagem, que elevam alguns milhares nesta contagem. 

Diante desse cenário, fica cada vez mais difícil sustentar a ideia de que a música eletrônica ocupa um espaço secundário no consumo cultural brasileiro. Ainda que os rankings de streaming apontem para a força de gêneros mais populares, os números do mercado de eventos revelam uma dinâmica diferente e talvez mais fiel ao comportamento do público quando o assunto é experiência ao vivo. A alta recorrência de festivais, a presença consolidada de marcas internacionais e, principalmente, a capacidade de mobilizar dezenas de milhares de pessoas em um único fim de semana indicam um ecossistema sólido, se fortalecendo e com forte apelo comercial.

Por Adriano Canestri

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