Não é segredo que o psytrance no Brasil sempre teve um público muito fiel. Mas por não chegar ao patamar mainstream, a cena acaba sendo nichada até mesmo dentro da música eletrônica. Isso não quer dizer que não seja uma das maiores sonoridades que exportam artistas talentosos do solo verde e amarelo para o mundo afora.
Esse é o caso de Blazy. O DJ e produtor gaúcho começou a produzir faixas de psytrance com apenas 17 anos. Sua faixa “Tandava” viralizou rapidamente e ganhou o mundo, entrando para o top 15 das “50 Virais” do Spotify, sendo a única música do gênero a alcançar esse feito até hoje, e chegou ao primeiro lugar do chart de psytrance no Beatport, tornando-se o brasileiro mais jovem a alcançar esse feito. Depois, ele repetiu o fato de alcançar o topo da plataforma por mais sete vezes.
Desde então, números expressivos têm acompanhado a carreira do artista, que hoje passa dos 200 milhões de streams somados nas plataformas digitais. Para ter ideia, ele emplacou todas as faixas do seu álbum de estreia, “The Chase”, entre as dez mais vendidas do gênero no Beatport, algo que nunca tinha acontecido antes, com o próprio disco chegando ao top 1 releases.
Blazy é um grande exemplo de como o psytrance brasileiro está cada vez mais alcançando o mundo. De junho até dezembro de 2025, por exemplo, o artista tem 50 apresentações marcadas, sendo 19 delas fora do Brasil. Ou seja, quase metade dos shows estão agendados em países como Chile, Alemanha, Irlanda, Bélgica, México, Itália, Suíça, Portugal, Tailândia, Japão, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Argentina e mais.
Sobre essa fase da carreira, ele revela: “É muito doido poder traçar esse caminho quase como do zero. Já faz alguns anos que a gente está pavimentando a estrada lá fora, e é muito gratificante ver que está dando certo. Hoje, inclusive, a nossa agenda já tem mais datas internacionais do que nacionais. No começo, é normal o som não ter o mesmo apelo que tem no próprio país, mas isso vai sendo conquistado aos poucos. É muito massa ver a galera que ainda não te conhece ficando meio impressionada, chegando pra conversar… lembra um pouco os primeiros anos da carreira no Brasil, mas numa escala maior, em eventos maiores. É parecido com reviver aquela fase com o mundo inteiro de cenário. Ter a chance de viver isso em escala global é especial demais”.
Entendendo que o psytrance do Brasil tem ganhado destaque tanto no line-up de festivais como nas plataformas de streaming e charts, ele avalia: “Acho que tudo isso também é muito positivo para nossa cena e pro nosso som. Lá atrás, no Brasil, era complicado ter acesso aos equipamentos e ao conhecimento de produção musical. A gente sempre esteve um pouco atrás do pessoal de fora, com algumas exceções, claro, porque sempre tivemos artistas incríveis. Só que hoje o acesso à informação é muito maior, e isso facilita muito mostrar a verdadeira qualidade que a gente tem aqui. E isso já está acontecendo, não só no psytrance, mas na música eletrônica como um todo. O som brasileiro virou tendência mundial em vários gêneros, e aos poucos isso também está rolando dentro do psytrance. Dá pra sentir que todos os olhos estão virados para o Brasil. Sinceramente, é difícil imaginar outro país exportando tantos produtores bons quanto o nosso”.
Entre as glórias de ter festivais como Tomorrowland, Rock in Rio, Ultra Music Festival, Indian Spirit, Dreamstate e mais no currículo, há também o fato de lidar com muito tempo fora de casa. No verão europeu, ele passou dois meses em viagem para tocar.
“Por mais que exista uma diferença grande entre as datas nacionais e as internacionais, tem sido bem tranquilo de lidar. É mais cansativo, lógico, mas não tem do que reclamar. Quando a gente estava lá atrás, produzindo no quarto, era exatamente isso que a gente sonhava em viver. Então, o cansaço das viagens acaba virando parte do trabalho e parte do sonho também. No fim das contas, a realização é muito maior do que qualquer incômodo ou obstáculo no meio do caminho”, considera o artista.
Sendo considerado o artista de progressive trance mais ouvido do país em nível mundial, Blazy reforça o poder da cena desta vertente no Brasil e como nomes expoentes, conhecidos como “produtos nacionais”, têm ganhado forças no mundo inteiro.
Por redação
