Black Hertz é um DJ brasileiro que lançou sua carreira durante a pandemia em um período difícil de sua vida, quando lutava contra a depressão. Para aprender mais sobre o espectro geral da música eletrônica, ele se mudou para Portugal para estudar sobre a carreira de artista, produção musical, entre outras coisas.
Focado nas sonoridades do minimal techno e high tech minimal, Hertz agora tem a oportunidade de fazer sua estreia no Brasil pelo House Mag Festival, no Surreal Park, este sábado. Sua primeira gig na terra natal em um festival e clube importantes para a cena não será uma tarefa simples: ele fecha a pista Bells, entrando no palco às 05h, pegando a pista de Wehbba.
Batemos um papo com ele sobre esta gig, sua linha de som ainda pouco difundida no Brasil e como ele, como um brasileiro morando na Europa, tem visto nossa cena de lá. Confira!
House Mag: O que representa estrear no Brasil e logo em um festival como o House Mag Festival?
Black Hertz: É uma gratidão imensa ter essa oportunidade de novo. No ano passado, devido a um incêndio no porto no dia do meu voo, não pude vir. Logo em seguida, peguei Covid, então foi um momento muito difícil, porque, como artista brasileiro, meu sonho sempre foi ter a responsabilidade de tocar em um stage dessa magnitude.
HM: Nos conte o que a pista pode esperar do seu encerramento no Bells.
BH: Como um dos alunos do Wehbba (em cursos online), sei da responsabilidade de assumir uma pista dele. Ele promete um som sério e maduro, como o grande artista que é. Eu prometo um som dinâmico e moderno, com muitas frequências de cura em “hertz”, um bom groove e melodias que inspiram — e que vão inspirar as pessoas a saírem do evento com pensamentos positivos para suportar a semana de forma mais leve. Acredito muito nas frequências da música e na mensagem subliminar que nós, artistas, podemos transmitir através delas.
HM: Morando fora, como você tem visto a cena brasileira atualmente?
BH: A cena brasileira lá fora é muito respeitada. Estamos na liderança, exportando bons artistas para o mundo todo, provavelmente ficando atrás apenas da Alemanha em número de novos talentos anualmente. Nós, artistas brasileiros, somos muito respeitados no exterior. Os europeus sabem que produzimos música com o que temos em mãos, muitas vezes sem acesso a equipamentos de ponta — apenas com um notebook, um fone e um sonho. Muitos vêm de famílias de baixa renda, então, quando chegamos lá como atração, o tratamento é sempre muito receptivo. Acredito que é parecido com a forma como os brasileiros tratam os gringos aqui. Eu enxergo dessa maneira.
Por Adriano Canestri
