Quem produz eventos sabe que essa tarefa se tornou quase que um exercício de resistência nos últimos tempos. Com custos crescentes e logísticas cada vez mais complexas, essa é uma conta que nem sempre fecha. Ainda assim, coletivos independentes movidos pela paixão genuína à música e à cultura underground seguem firmes no fomento da cena, somando forças para compartilhar não só os riscos, como também conhecimentos e o cruzamento de diferentes públicos.
Em Goiânia, essa lógica se materializa na Super Híbrida: o encontro entre os coletivos Super Sábado e Híbrida para realizar um evento que foge do lugar-comum e aposta alto na cultura de pista. A estreia dessa parceria vem com um convidado de peso: Tal Fussman, DJ, produtor e label owner em ascensão global, que faz sua primeira apresentação em Goiânia. O artista, que começou a discotecar aos 15 anos, construiu e lapidou sua sonoridade em Berlim, uma identidade híbrida que conversa com diferentes escolas sem perder o foco de pista.

Parte dessa identidade vem de suas referências: “Me inspiro em DVS1, Laurent Garnier e Mad Mike, do Underground Resistance”, disse em uma entrevista que a própria equipe da Super Híbrida conduziu. Ele também destacou que consegue manter esse equilíbrio mesmo diante de diferentes ambientes: “Estou sempre atento ao lugar onde vou tocar e sei como me ajustar ao ambiente e à situação, sem comprometer minha assinatura sonora”.
No estúdio, essa visão aparece em lançamentos por selos que são referência mundial, como Innervisions, Diynamic, Rekids, Cocoon, Global Underground, Bedrock, além da própria Survival Tactics, buscando sempre manter um ritmo de produção intenso. “Minha rotina de produção é praticamente diária — tento fazer música todos os dias em que estou em casa”.
Entre as faixas que ajudam a entender seu amplo universo estão ‘Burning Bridges’, que marcou sua estreia na Diynamic e o apresentou para o mundo; o EP ‘Children Of 95’, que o consagrou dentro da Innervisions; bem como seu recente single ‘Eyes’, assinado pela Cocoon. Em comum, todas revelam a mesma assinatura: há um cuidado pelo minimalismo de elementos, sem deixar de carregar a potência necessária para as pistas.
Sobre sua abordagem criativa, Fussman explica que nunca busca soar como um selo ou artista específico: “Nunca tento, de forma proposital, fazer com que minhas faixas soem como um artista ou selo específico. Apenas crio minha música e, depois, decido onde ela pode se encaixar”. Ainda assim, sua pesquisa sonora é profunda e curiosa, sempre em busca de samples e grooves que despertem novas ideias. A conexão com o Brasil, por exemplo, aparece em faixas como “Memo” e “Persona”, como ele mesmo revela: “O samba, para mim, é um dos melhores exemplos de música baseada em ritmo, percussão e groove”.
No fim das contas, trazer Tal Fussman pela primeira vez a Goiânia é um recado de que a cidade também está preparada para nomes que fogem do óbvio. E é justamente essa a missão da Super Híbrida: colocar gente diferente na mesma pista, trazer artistas relevantes sem depender de grandes festivais, unir forças onde antes havia esforços isolados e provar que, quando diferentes partes da cena colaboram, todo mundo ganha.
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Por redação
