O mercado de música eletrônica no Brasil existe (e resiste) há quase 30 anos.
Desde as primeiras aparições de clubs, raves e festivais, todo o ecossistema tem se adaptado e profissionalizado acerca de conseguir atender e entender a demanda que esse volume de interesse e demandas têm surgido desde então.
Com o passar dos anos, o “mercado” foi entendendo como o formato e público iam se comportando ao surgimento de cada dor, criando de forma natural e sintomática, os próprios players, com aquela assinatura BR.
Temos muitos representantes brasileiros que, por conta própria, tornaram o mercado de música eletrônica no Brasil, atualmente, um grande exemplo de profissionalismo e gestão de carreira artística, com e para os talentos que nós temos por aqui.
*Vale lembrar que esse conteúdo é um recorte do nosso mercado e o editorial foi todo pensado para o mercado de eventos e os braços que envolvem o mesmo. Não representa em sua totalidade, mas uma grande parte dele.
Exemplos de alguns escritórios e player super importantes no mercado brasileiro são esses abaixo:
PRODUTORAS DE EVENTOS / GRUPOS DE ENTRETENIMENTO/COLETIVOS
SNTS (SYNTESE) /BE ON ENTERTAINMENT / MUSA EVENTOS / FEEL GOOD / HIPNÓTICA / EVVO / OVERDRIVE / NIN92WO / PUMP / GOP TUN / CAPSLOCK / WOW / MAMBA NEGRA / 1010 / ON PLAY / XICA / NO LIMITS / UNDER VISION / AURA / 4FLY / EXPERIENCE PRODUCE / HEAVY LOVE / MUZIKISMO / VELUDO / GAZ EVENTS / COLETIVO PLANO / MY HOUSE / COLOURS / LEVELS / AGÊNCIA TODAY
PRODUÇÃO ARTISTICA E TÉCNICA OUTSOURCING PARA EVENTOS E ARTISTAS
FB SOLUTIONS / BORA CORRES INFINITOS
BOOKING
PANORAMA X / PLUS NETWORK / D.AGENCY / ENTOURAGE / ALLIANCE ARTISTS / SEASON BOOKINGS / WAV BOOKINGS / DM7 BOOKINGS / ARTEMIS / MIND / INFINITE / TUPINIKIM / ARTMUSIC / CORAL AG. / BOX TALENT / BR.BOOKING / OHMEGA BOOKINGS / SATURN / CORAL 360 / KONTROL / PLAYHOUSE / ATOMIC SODA / FIELD / UNA / SUICIDE LEMON / WRX / AEON / R8 MUSIC / ESSÊNCIA / FAM BOOKINGS / WARM / AURA BOOKING / SMARTBIZ / HYPNO / 13 BOOKINGS /
GRAVADORAS/SELOS
HUB RECORDS / FLUXO / DOC RECORDS / CONTROVÉRSIA / NATURE / RADIOLA / WARUNG RECORDS / CURRAL / ALIEN RECORDS / SYNK87 / HOUSE MAG RECORDS / RESINA RECORDS / SONITUM / VAGALUME RECORDS / ENDLESS / ORGANIC RECORDS / THOUSAND RECORDS / UBUNTU / TIJOLO RECORDS / RIOT / NOT TOO FANCY / NICE AND DEADLY / HASTA LA PISTA / ELEVATION / DEDGE RECORDS / DECØDED / OLGA RECORDS / BLACKARTEL / OMNES / LEVELS REC / ORGANIC PIECES / TUNE CITY / CACTUNES / DAWN PATROL /ABYSSAL DEEP / TROPICAL TWISTA / GATOPARTO / DSRPTV / SELECTED BANGERS / SANDBOX / FEELINGS / SUBLIMINAR RECORDS / TANGERINA / CASA BONITA / GIBI /G-SPOT / DRT / FACE MELTER / BOTANIC BEATS / CONNECT / COLAPSO / MELTLAB / KLANDESTINE / LEMON DROP / DISTINKT / QTV / CATHOUSE/ ERROR LABEL / MUZENGA / ORDER / JARDINEIRA / DOGGHAUZ / REF CITY / CARDUME / GOP TUN RECORDS / CLUBINHO / HEELS OF LOVE / BEESIDE / MELODIC THERAPY
MANAGEMENT
SISMO / GBL / NEXT / ACID / ESSENCE8 / GOLD / NOMADJ.CO / BRASLIVE / BUZZ / WWAM / 8 BEATS / 808BIZ / SLAM / ANOTHER CREATION / UAM
RÁDIOS/PODCASTS
VENENO / SYNCE DANCE / NA MANTEIGA / FUNCTION.FM / ENERGIA 97FM / CENTRAL DJ / HOUSE MIX / WE RAVE MUSIC / MOBI TRACK RADIO / TRANSIENTE RADIO / CONNECT
ASSESSORIAS DE IMPRENSA
BOREAL AGENCY / BEATS N LIGHT / WELIKE DIGITAL
CONSULTORIAS/COMUNIDADES/PLATAFORMAS
NOMMAD MEDIA / MB CLUB / MARKETING PARA DJS POR EVERSON K/ MAKE ME DANCE / ROLETRONIC / DJ STUDIO BRASIL / COMUNIDADE ANDRE SALATA
PORTAIS
HOUSE MAG / ALATAJ / DJ MAG BR / PLAY BPM / DROP TIMES / DJANE MAG BRASIL / DJ SOUND / AMANTES DO ELETRÔNICO / GRVE MAG / WE GO OUT / ELETROVIBEZ / WONDERLAND IN RAVE
FORMAÇÃO PARA DJS / PRODUTORES MUSICAIS / PRODUTORES DE EVENTOS
HOUSE MAG ACADEMY / YELLOW MUSIC ART / MUSIC LAB / ENXAME SCHOOL / QUAPRO / GREAT DJS / MAKE MUSIC NOW / DJ BAN / GO DJS / PME EXPERTS /METHODUS DJ SCHOOL / ONESTAGE EXP / ROCK WORLD / VILA PRODUÇÕES / DJ SCHOOL BSB / VIBE DJ COLLEGE / ANDRE SALATA COMUNIDADE / GO DJS / ACELERADORA MUSICAL / KONNEKT MUSIK / BOREAL MUSIC ACADEMY / JAYBOO / IATEC / BORA CORRES INFINITOS / HEADSTAGE / COOLLAB MUKTI ACADEMY / E-LAB DJS / BRASIL DJ ACADEMY / CURSO GESTÃO DE EVENTOS (EBAC / ESTÁCIO / UNIASSELVI / FAAP E OUTRAS INSTITUIÇÕES)
CONVENÇÕES/ENCONTROS
BRAZIL MUSIC CONFERENCE / HOT BEATS ACADEMY / YELLOW ELECTRONIC SUMMIT / COOLLAB MUSIC ACADEMY / ROLETRONIC
AUDIOVISUAL&SM CREWS
YOTTO / FYRMA / MIXADA / LOG CREATORS / BE CLASSIC / LUMORA / NOZZEN STUDIO / UP AUDIOVISUAL / MOBITRACK / MANCIE / VERTICE
CENOGRAFIA
STAGE MODEL / EVENTS LAB / SHARÁ / STUDIO PREMIUM / SURYA / AKASHA / TIME TRAVELERS / BECOSCREW / QUASARES / VISUAL COLLORS / SPECTROHM ARTS / GROOVE LAB
ILUMINAÇÃO
ROCCA LIGHTING / 28 ROOM
SOUNDSYSTEM
AWAKE / PURE GROOVE / VOID / PUNCH SOUNDSYSTEM / CORE SOUNDSYSTEM
DISCLAIMER: Além desses players que fazem o mercado acontecer, existe uma INFINIDADE de outros que todos os dias seguem criando novas labels, trazendo para o mercado novas maneiras de se profissionalizar e posicionar dentro do meio e pulsando a cada instante a veia da música eletrônica originalmente brasileira
Em grande maioria, assim como eu que estou escrevendo, os profissionais do cenário de música eletrônica fazem essa jornada por conta própria, indo da pista como público até o palco/backstage, alimentados pela dúvida e com a sede de fazer parte da engrenagem de alguma maneira. Hoje ainda quase não se encontra formação na área profissional, visando a entrada nesse mercado de forma correta.
Pensando nisso, convidamos alguns notórios profissionais do nosso mercado brasileiro para trazerem um pouco de suas visões e áreas de como se profissionalizar no mercado de música eletrônica no Brasil, seja você DJ, Produtor de Eventos, VJ, Iluminador, Auxiliar, dono de gravadora, ou apenas um(a) curioso(a) ou indeciso(a) e não sabe onde atuar nesse vasto mercado nosso. Seguem as participações abaixo:
MARCELO MADUEÑO (ex-diretor de Produção da Entourage e criador do método QAPRO)
“Trabalhar no mercado do entretenimento exige aprendizado teórico e prático. O melhor caminho para subir rápido é chegar para a prática com uma base teórica bem fundamentada. O mercado ainda carece de profissionalização, portanto ter uma bagagem coloca o candidato em uma posição de vantagem competitiva antes e depois de ser contratado.
O mercado brasileiro tem o mesmo modelo do mercado internacional, portanto buscar cursos especializados na área de interesse, dentro ou fora do Brasil, presencial ou virtual, é uma ótima maneira de começar.
Dá para encarar o mercado sem base teórica? Com certeza, a grande maioria faz isso. Minha leitura é para aqueles que desejam crescer rápido e se destacar, e não ser mais um.”
RODRIGO BOUZON (MUSA Events/ Fundador da festa SOLLARES e produtor de eventos em Salvador)
Então, acho que cada empresa tem sua metodologia, objetivo, forma de atuar e forma de enxergar o mercado. Mas acredito que a chave pra qualquer gestor de eventos é enxergar seu evento como sua empresa. Quem trabalha com o show business tem uma grande facilidade de se iludir e infelizmente também se desiludir com base nas suas paixões musicais ou artísticas. Quando passamos a enxergar os nossos eventos como uma empresa, (como de fato é), existe uma clareza maior de identificar quais são as suas qualidades e quais são os seus defeitos pra aprimorar. Hoje, trabalhando em uma praça tão específica como Salvador, se tratando de Nordeste, tenho que buscar sempre um equilíbrio perfeito entre curadoria e entrega. Quanto o público está disposto a pagar? O que eu consigo entregar com base nisso? Com qual objetivo? Óbvio que pelo meu coração, sempre gostaria de entregar a mais do que a galera tem, mas preciso entender que minha cena tem limitações financeiras e a longo prazo isso seria insustentável. Com base nessa visão, buscar sempre aprimorar o que você tem de pior, e alavancar o que você tem de melhor. Existem cursos em faculdades de gestão de eventos, marketing, finanças para empresas, branding, publicidade, até virar dj pode te fazer enxergar a música de uma forma bem específica que outros empresários não veem.
Se você não tiver aptidão pra faculdade, existem hoje zilhões de cursos on-line que podem colaborar nos seus estudos. Inclusive, conversas sinceras com as IA’s podem te entregar informações valiosíssimas que outros produtores mais antigos levaram décadas pra aprender.
E a dica de ouro: se é isso mesmo que você quer, não desista. Porque, raramente chega rápido.”
JOÃO CAMPOS (Produtor do Vegas e Tour Manager da agência Season Bookings)
“Primeiramente, no meu caso, decidi seguir para a área de Produção Técnica, Artística e Logística por me identificar bastante com esse nicho.
Escolher uma área com a qual você mais se identifica é um passo muito importante. Embora seja fundamental ter uma noção geral de todos os segmentos, especializar-se em um nicho dentro da música eletrônica permite dedicar-se 100% ao que você se propõe a fazer. No meu caso, não consigo fazer nada pela metade, por isso considero essencial ter um direcionamento claro desde o início.
O networking também é fundamental. É importante buscar conexões com pessoas que possam agregar à sua trajetória na música eletrônica. Além de demonstrar que você esta realmente interessado, isso abre portas para futuras parcerias e amplia sua rede de contatos, facilitando o acesso a oportunidades que surgem no mercado.
No entanto, só isso não é suficiente. É essencial investir em especialização: fazer cursos, ler, estudar e, principalmente, observar outros profissionais em ação. Entender o “modus operandi” de quem já atua na área é uma forma valiosa de aprender e evoluir constantemente.
Por fim, é importante lembrar que a profissionalização na música eletrônica exige tempo, esforço e dedicação. Com persistência e foco, é possível alcançar seus objetivos e construir uma carreira de sucesso e bem-sucedida na indústria.”
PRIPA MIRANDA (Artist Manager e dona da agência de bookings R8 Music)
“Antes de mais nada, é preciso entender que “profissionalizar” não é ter um CNPJ e postar flyer bonitinho. É assumir a carreira como uma empresa, mesmo quando ela ainda está no papel. Isso vale pra qualquer frente: produção musical, discotecagem, booking, management, produção de eventos ou fonográfica. O mercado da música eletrônica não perdoa amadorismo travestido de “alma artística”.
O primeiro passo é ter clareza brutal: quem é você nesse jogo? Qual dor você resolve, qual valor você entrega, e pra quem? Sem isso, qualquer curso ou networking vira desperdício de tempo. A profissionalização começa no posicionamento.
A partir daí, os caminhos se desdobram:
Para produtores musicais e DJs, técnica sem estratégia é só vaidade sonora. Estude, sim. Pratique, claro. Mas entenda de mercado, branding, fanbase e funil de fãs. A track que você produz precisa ter pra onde ir.
Para quem quer ser manager ou booker, saiba que isso não é glamour: é resolver problema, lidar com ego, estar 10 passos à frente. Management é cuidar de gente e isso exige maturidade, inteligência emocional, e visão macro.
Na produção de eventos, o buraco é mais embaixo. É lidar com risco financeiro, logística insana e muita instabilidade. Quem sobrevive aqui, domina planejamento, comunicação e sabe gerenciar crises com frieza.
Na produção fonográfica, o desafio é alinhar qualidade técnica com timing de lançamento, originalidade e estratégia digital. Não adianta masterizar com top engineer se ninguém vai ouvir.
Agora, um alerta importante: o mercado está em colapso emocional. Tem muito artista cansado, muito produtor endividado, e muito “profissional” adoecido por tentar performar o tempo todo. Profissionalizar também é criar um sistema sustentável. É isso que eu ensino: como viver de música SEM morrer por ela.
A melhor maneira de se profissionalizar?
É construir repertório emocional, visão de negócio e identidade artística ao mesmo tempo. E se cercar de quem te coloca na real, não de quem te ilude com promessas de palco fácil e sucesso viral. Inclusive preste muita atenção no que você consome na internet.
No fundo, profissional é quem entrega com constância e excelência, se adapta com inteligência e tem coragem de bancar a própria verdade.”
SALOMÃO AUGUSTO (Diretor de Produção na BORA CORRES INFINITOS e Coordenador de logística e artist care de festivais como Hipnótica / Universo Paralello / Sounds Of Quartzo e Artista Musical)
“A melhor maneira de entrar para o mercado de música eletrônica no Brasil é pela dúvida.
Em 10 anos de atuação eu percebo que não temos ainda uma fórmula ou caminho certo pras pessoas ingressarem ou se profissionalizarem dentro desse ecossistema nosso.
Porém, quem já está dentro, precisa estar disposto a ensinar e abraçar quem está chegando, para que sempre possa caber mais gente, principalmente pessoas profissionais.
O backstage e áreas técnicas de produção em todo o país precisam ser locais tão legais de se estar quanto na pista, para que todos se sintam bem realizando aquilo que estão escalados para fazer, ou se prepararam uma vida inteira pra isso.
Todo artista deveria entender que ele é muito mais útil pro cenário como um todo, desenvolvendo sua própria gravadora ou seu próprio evento. Tudo é voltado pra você desenvolver seu próprio universo sozinho, hoje em dia. E você criando a sua própria rede de conexões, as portas se abrem de igual pra igual. Se você é um artista musical no cenário e tem seu próprio evento ou gravadora/coletivo, que seja, você nunca mais vai chegar em um evento que te bookaram e ter medo de trocar uma ideia com o contratante, afinal, vocês são a mesma pessoa, em situações diferentes naquele momento.
Pra você que está entrando nessa jornada: começa perguntando pra quem você conhece se existe alguém na sua cidade ou próximo a você que já trampa com isso, pra te der uma ideia melhor sobre como é o mercado aí na sua região.
Dizem que o que nos distancia do sucesso ou de qualquer pessoa ou objetivo são 4 apertos de mão, mas uma pergunta pode mudar sua vida inteira de rumo. É só começar.”
FATSYNC (Artista e produtor musical)
“Pra mim, o caminho mais direto pra se profissionalizar na música eletrônica é o conhecimento. Mas tipo, não só o conhecimento técnico de produção ou discotecagem. E sim buscar entender também o lado do business, da logística, do booking, da gestão de carreira um 360 geral mesmo.
Quanto mais você se envolve e aprende sobre todas as frentes, mais preparado você está pra encarar o mercado de verdade. E isso gera respeito. Outro ponto essencial é o networking, trocar ideia, aprender com quem já tá na estrada, se conectar de forma genuína. A troca te ensina muito e abre portas. Agora, nada disso adianta se você não botar a mão na massa. O conhecimento precisa virar ação. É na prática que você realmente cresce e se diferencia”
VITOR JESUS (Ableton Certified Trainer, CEO Music Lab e Artista)
“Nesses anos todos produzindo, tocando e ensinando produção musical, com mais de 1000 alunos passando por mim desde que ensinava produção musical em São Paulo, até a criação da minha própria escola em Goiânia, a Music Lab. Entendo que sem um objetivo real de se profissionalizar (falo da entrega com qualidade e propósito) não existe sucesso. E antes de falar de fama e carreira, o sucesso aqui é você fazer uma excelente entrega, seja de uma musica envolvente e tecnicamente impecável, ou você ser capaz de construir uma narrativa de um excelente DJ Set junto ao público, o que envolve técnica, feeling e repertório. Para isso entendo que você precisa dominar o que eu vou chamar de “maestria musical”
A maestria musical, a técnica e a persistência.
Este é o alicerce fundamental. Sem um produto de alta qualidade – sua música e suas apresentações –, nenhuma estratégia de marketing se sustenta.
Domínio da Ferramenta: É crucial ir além do básico. Um produtor profissional deve ter conhecimento profundo do seu software (como o Ableton Live), automação criativa e otimizando o fluxo de trabalho com templates e atalhos. Isso remove barreiras técnicas e acelera a concretização de ideias. Síntese sonora e Sound Desighn. A falta de conhecimento desse nível nunca pode ser uma barreira para você deixar sua criatividade fluir.
Fundamentos de Teoria Musical Aplicada: A teoria musical não é um luxo, mas uma necessidade. Compreender harmonia (acordes, escalas, campo harmônico), melodia e ritmo permite criar composições coesas, emotivas e originais, indo além do senso comum e explorando o potencial máximo de ferramentas como o Scale Mode e Chord MIDI Effect.
Sound Design: A identidade sonora nasce da capacidade de criar timbres próprios. Mergulhar na síntese (subtrativa, FM) e nos sintetizadores nativos, como Wavetable e Operator, é essencial. Recriar timbres de faixas profissionais é um exercício prático poderoso para desenvolver o ouvido e a técnica, mas experimentos são extremamente importantes para você descobrir sua própria sonoridade.
Arranjo e Estrutura: Uma boa ideia pode se perder sem um arranjo inteligente. Dominar a estrutura clássica de uma faixa (Intro, Build-up, Drop, Breakdown, Outro) e a arte de criar tensão, movimento e êxtase através de automações e efeitos é o que transforma uma faixa em uma jornada auditiva cativante conseguindo trazer o publico com você
Mixagem e Masterização: São as etapas de polimento final. Uma mixagem eficaz garante que cada elemento tenha seu espaço, com clareza e equilíbrio (usando EQ, compressão, reverb). A masterização é o estágio final para o volume competitivo e o brilho que tornam a faixa pronta para o consumo global. Sempre recomendo nessa etapa que o produtor recorra a profissionais qualificados. O produtor foca na produção criativa, a pós produção você deixa pra quem realmente sabe o que está fazendo.
A Arte do DJing: Ser produtor e DJ são faces da mesma moeda. Dominar a técnica de mixagem (beatmatching, uso de EQs, phrasing) e a capacidade de construir uma narrativa em um set são cruciais. Um set de DJ é uma história que envolve o público.
Paciência e Consistência (O Mindset): Esta é a parte mais desafiadora e, talvez, a mais importante. A rejeição é inerente ao processo. Construir uma carreira é uma maratona, não uma corrida de curta distância. Manter-se produzindo, aprendendo e conectando-se constantemente, mesmo sem resultados imediatos, é a chave para o sucesso a longo prazo. A consistência, muitas vezes, supera o talento sem dedicação, e isso eu tenho observado empiricamente nesses quase 20 anos como professor especializado na área.”
FELIPE KRUST (VJ / Mochakk Team)
“Na área de VJ – que faz os visuais da festa, o ponto de partida deve ser primeiro fazendo networking com outros profissionais VJs.
Digo isso porque por ser uma parte muito específica da música eletrônica e de certa forma “pequena” (no sentido não ter a valorização devida), acaba que muitos profissionais que começam nesse segmento se descolam do que chamamos de “justo” e acabam desbalanceado o grupo oferecendo as vezes muito mais do que o valor remunerado propõe.
Uma vez compreendido como funciona o mercado, daí sim é interessante começar a se aperfeiçoar em uma linguagem de apresentação, um estilo de performance, etc e não deixar passar nenhum trabalho sem registrar as etapas de pré e pós-produção. Como estamos sempre nos bastidores, é muito importante que VJs mostrem seus processos para que sejam valorizados porque são vistos mas muitas vezes não entendem como funciona”
“Quando abordamos o tema sobre profissionalização do mercado e o colocamos diante do público, se torna nebuloso. Não é pelo fato do consumidor de música e eventos desconhecer a “máquina” por trás do artista / eventos, e sim, pela falta de informações e políticas claras sobre as atuações dos profissionais que constituem esse cenário. E ok, concordamos que não temos informações sobre todas as áreas e, muitas vezes, como consumidores, não temos tempo para destrinchar e discutir esses temas. Mas considero importante iniciarmos o pensamento da profissionalização pela perspectiva do consumidor e não da cadeia produtiva. Inicialmente, como artistas, empresários do ramo, gerentes, produtores e toda essa cadeia de entretenimento, já se pegou amando música eletrônica e definitivamente entrou nesse mundo pela paixão, não importa a dificuldade. Com o passar do tempo, percebemos as intempéries de um país que carece de políticas de bem-estar social, segurança financeira, inclusão e combate à corrupção. Tendemos a trazer a ótica de um mercado fragilizado e profissionais vulneráveis, mesmo gerando bi-anualmente. Não é pela fragilidade de estrutura ou falta de profissionais, temos inúmeros eventos e artistas globais, mas sim pela corrida e pela forma como cada personagem dessa estrutura chegará a essa “profissionalização”. Temos efeitos adversos, como: artistas sem condições e estrutura, poucos centros de estudo que recebem apoio estatal (ou talvez nenhum), falta de incentivos governamentais, linha de crédito para pequenos empresários, acesso a tecnologias que diminuem o custo de produção, apoio psicológico, dificuldade de se sustentar financeiramente em um cenário altamente competitivo (reflexo da falta de acesso a benefícios), o que nicha o mercado e o “elitiza” de certo modo. Claro, estou citando os efeitos “negativos” antes de pincelar o que torna nosso cenário único no mundo. Afirmo com segurança: profissionalização no Brasil não significa ter os melhores equipamentos, a melhor equipe, a melhor estratégia, a maior conta bancária ou a sua maior força de vontade para conquistar os objetivos ou talento. Trata-se exclusivamente de união e senso de coletividade. É possível estar no cenário com pouco, crescer lentamente e com consistência. Em uma era polarizada que se sustenta através das bolhas digitais, nossa melhor ferramenta é o senso de pertencimento. Na visão do consumidor: frequentar os pequenos núcleos (clubes locais), dar oportunidade para consumir novos talentos. Na visão de quem vive da música: reconhecer novos talentos, respeitar as agendas da cadeia produtiva, abrir espaço para estudos, reduzir a polarização (a que gera ruído), criar programas de incentivo, apoiar pequenos núcleos através da exposição, investimentos e participação ativa dos profissionais, estudo constante das novas tecnologias e lutar por equidade. Vale citar, por exemplo, que segundo um levantamento da FGV (2023), apenas cerca de 6% dos projetos financiados via Lei Rouanet entre 2015 e 2021 contemplaram iniciativas ligadas à música eletrônica ou suas vertentes. Isso evidencia como ainda somos marginalizados dentro da política pública cultural, o que reforça a necessidade de articulação e reivindicação por equidade real. Também é importante buscar caminhos alternativos. Iniciativas como o SEBRAETEC, ou experiências como o Futurum Music Lab (SP), oferecem suporte técnico, digital e de inovação a pequenos empreendedores culturais. Não são soluções amplas, mas apontam saídas possíveis enquanto seguimos batalhando por estrutura. Não é sobre acreditar que fórmulas funcionam, é acreditar que, na música, a grama do vizinho só cresce se alguém regar.”
RODRIGO ROCCA (ROCCA Lighting)
”Acredito que não existe uma fórmula mágica ou uma receita pronta para se profissionalizar na iluminação no Brasil.
Não temos uma faculdade de iluminação por exemplo, mas temos muitos cursos disponíveis na Internet que ajudam muito, como por exemplo a Comunidade do Renatinho que tem vários cursos e tem uma estreita parceria com a Rocca.
Eu acho que uma boa dica para aprender e se profissionalizar é sempre procurar uma pessoa ou empresa que seja referência no mercado e buscar se aproximar e aprender com ele, hoje temos inúmeros profissionais no Brasil que podem te ensinar muito e tornar você um profissional melhor.”
TONINHO SILVEIRA (ONERPM Brasil)
“A profissionalização no mercado da música eletrônica, assim como em qualquer outro setor, passa necessariamente por conhecimento, prática e paciência. Hoje em dia, temos acesso a diversos cursos e conteúdos que ajudam a entender o funcionamento do mercado — algo que era bem mais limitado há 10 ou 15 anos. No entanto, o verdadeiro aprendizado vem com a prática, quando começamos a aplicar o que foi aprendido, enfrentamos os desafios reais do dia a dia e conquistamos nosso espaço de forma positiva.
A música eletrônica nasceu de uma cultura apaixonada, construída por gerações que amavam esse universo, e foi se profissionalizando à medida que o mercado evoluía. Ainda hoje, precisamos seguir inovando, conectando pessoas, ideias e iniciativas que contribuam para o crescimento e a profissionalização de todos que atuam nesse ecossistema.
No meu caso, por exemplo, a vivência na estrada me proporcionou uma visão ampla do mercado, que mais tarde pude aplicar aqui na ONErpm. Esse tipo de transição mostra como o conhecimento prático pode abrir novas portas e nos tornar profissionais mais completos.
Portanto, além do estudo técnico, é fundamental cultivar o networking, trocar experiências, observar o que está acontecendo ao seu redor e se inspirar em quem já trilhou esse caminho. A curiosidade e a dedicação constante são peças-chave para se destacar e, mais do que isso, para se tornar uma referência para as próximas gerações.”
GABI LOSCHI (Editora-chefe da House Mag e CEO da BOREAL AGENCY)
”Eu poderia começar falando sobre pilares essenciais para o cresicmento: talento, técnica (discotecagem, produção, vendas, o que for necessário para sua área), marketing e divulgação (branding, redes sociais, assessoria de imprensa), networking real (criar pontes) e planejamento de carreira. Mas o que observei em mais de 1 década como PR, mentora de carreiras e construindo empresas, é que isso só funciona quando há desenvolvimento comportamental, disciplina, foco e certa ambição. Uma pessoa disciplinada, mesmo com menos talento, pode ir longe. O contrário não acontece. É necessário estudar o mercado, aprender com quem já chegou lá, ter bons mentores, criar material profissional, enquanto fortalece a mente, aprende a lidar com frustração, foca em solução não em problema. Profissionalizar-se exige pensar sua carreira como uma empresa e ter paciência e visão de futuro, para não ficar só reclamando das dificuldades do meio do caminho. Ter uma agenda organizada, estabelecer metas diárias, anuais. Sucesso vem de estrutura, não de sorte. E quem quer crescer, precisa agir com consistência e estratégia desde agora. E, claro, fazer também as partes chatas que não gosta, pois adulto faz o que for preciso pra conseguir os resultados que deseja.”
DENISE KLEIN (Sócia da agência ATOMIC SODA)
“O mercado de música eletrônica no Brasil é desafiador. Se profissionalizar nesse universo vai muito além do talento ou do gosto musical: exige estudo, consistência, rede de contatos e, principalmente, uma compreensão profunda do ecossistema que sustenta a cena.
Cada área tem suas próprias exigências e caminhos possíveis, mas todas convergem em algo essencial: envolvimento real com a cultura da música eletrônica.
Ser DJ profissional não é apenas dominar a técnica, embora isso ainda seja o ponto de partida. O que diferencia um nome relevante no mercado é a construção de um repertório autoral, sensibilidade para leitura de pista e capacidade de se conectar com o público. Muitos artistas no Brasil começaram tocando em festas menores e cresceram junto de coletivos e selos independentes, que desempenham um papel essencial na formação da cena e no fortalecimento de novas trajetórias.
Produzir suas próprias tracks é, sem dúvida, um divisor de águas na jornada profissional. Tracks autorais ampliam a visibilidade do artista e abrem portas tanto no mercado nacional quanto internacional.
Mas ser produtor é mais do que criar música, é entender sobre a distribuição digital, direitos autorais, contratos, funcionamento de selos e o papel da indústria fonográfica. Nesse sentido, os selos independentes têm sido fundamentais ao revelar talentos, fomentar intercâmbios e criar redes de apoio entre produtores e DJs.
Além da criação artística, existe o trabalho estratégico por trás de cada carreira. O booking exige visão de mercado, habilidade de negociação, organização de agendas e leitura de posicionamento. Já o management vai além, envolve desde decisões criativas até a construção de imagem, planejamento de longo prazo e relações com marcas, imprensa, selos e parceiros. É uma área que exige confiança mútua, sensibilidade artística e profundo conhecimento do funcionamento da indústria.
A profissionalização na música eletrônica também passa por áreas que, muitas vezes, operam nos bastidores, mas são vitais para o funcionamento da engrenagem.
Assessoria de imprensa e marketing digital: ajudam a posicionar artistas, criar narrativas e conectar o público certo.
VJing e produção visual: crescem em festas e festivais que investem em experiências imersivas, misturando música, arte e tecnologia.
Técnica de som e iluminação: são funções essenciais com alta demanda.
A profissionalização começa com uma decisão, a de levar a si mesmo a sério dentro da cena. Frequentar festas, trocar com outros profissionais, consumir música de forma ativa, buscar capacitação e manter constância são atitudes que constroem uma trajetória sólida.
O reconhecimento vêm com o tempo, mas o primeiro passo é o envolvimento real com a cultura, a comunidade e o mercado. O Brasil ainda tem muito a amadurecer nesse setor, e justamente por isso há espaço para quem chega com visão, curiosidade e comprometimento.”
Concluindo o nosso breve estudo, o Brasil é um dos países mais ricos em Música Eletrônica no mundo todo. Ela chega a representar uma parte bem expressiva da fatia do PIB nacional de eventos e entretenimento, que em 2024 registrou uma estimativa de consumo no setor, nos cinco primeiros cinco meses do ano passado, onde chegou a R$ 53 bilhões, resultado 8,5% superior ao mesmo período de 2023 (R$48 bilhões). Em maio, o índice chegou a R$10,65 bilhões. Foi o melhor resultado para o período desde que a série histórica deste indicador iniciou em 2019. O levantamento leva em consideração o peso atribuído mensalmente pelo item Recreação do Índice de Preços no Consumidor (IPCA) e a massa de rendimento real mensal dos trabalhadores aferidos pela PNAD/M (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE. (trecho retirado do site da ABRAPE)
Apesar do crescimento do setor de eventos, a profissionalização ainda é insurgente, onde não se tem um caminho a seguir.
Sabemos que o Brasil abriga festivais de grande porte como Tomorrowland Brasil, Universo Paralello, Só Track Boa e TribalTech, que movimentam milhões de reais e empregam milhares de profissionais da cadeia produtiva — de DJs a técnicos de som, produtores culturais, comunicadores e profissionais de hospitalidade.
No meio artístico, há uma crescente preocupação dos artistas com gestão de carreira, identidade visual, presença digital, marketing e contratação de equipes especializadas (assessoria de imprensa, managers, bookers, etc.) e temos excelentes players para atender o mercado nacional
Cursos de produção musical, discotecagem, marketing musical e gestão de eventos estão mais acessíveis — tanto nas capitais quanto em formato online — contribuindo para uma base técnica mais sólida entre os novos talentos e profissionais do setor.
Agora uma grande lacuna está em políticas públicas para o setor, onde muitos profissionais ainda atuam de forma informal, sem contratos claros ou acesso a direitos básicos. Isso impacta desde cachês atrasados até ausência de proteção legal em casos de imprevistos.
As grandes oportunidades ainda estão concentradas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mas a descentralização de profissionais e pontos de apoio da cultura de música eletrônica tem sido cada vez mais latente nos estados fora do eixo.
Para o mercado de eventos e de formação, temos uma série de profissionais que fazem a gestão de diversas equipes e labels especializadas espalhados pelo país.
Para você que está afim de entrar pro mercado e música eletrônica, sugiro ir atrás dos nomes, selos, marcas e demais profissionais que foram elencados aqui, pra saber qual caminho você gostaria de seguir.
Até a próxima Da Pista pro Palco!
por Salomão Augusto & Bora Corres Infinitos
Foto de abertura: João Matheus
