HM pesquisa: 37% dos entrevistados afirmam ter consciência que estão prejudicando o produtor de evento ao esperar pelo VIP

Algo muito sério que acontece na cena brasileira e voltou aos holofotes nas últimas semanas é a cultura do VIP. Para você que não está habituado a este termo, VIPs são os ingressos cortesia que o evento disponibiliza ao público. Mas, o que é a ‘’cultura do VIP’’?

Alguns eventos no Brasil passam dificuldade com a venda de ingressos antecipadamente por vários motivos e na véspera ou no dia do evento se veem praticamente obrigados a liberar cortesias para atrair mais pessoas. Dessa forma, assumem o prejuízo na baixa procura pelos ingressos e tentam reverter a situação nas vendas do bar. Dentre os motivos que levam a esse cenário, estão potenciais consumidores que têm vontade de ir à festa, mas acabam esperando pelo VIP. Essa prática prejudica o andamento na organização do evento e os processos que o antecedem, pois além dos cachês dos artistas existe todo o custo operacional e de logística que precisa ser pago antes do evento.

Para entender melhor sobre o que pensa o público, fomos conversar com nossos leitores. 

Quando perguntamos sobre como garantem os ingressos, 74% disse comprar quando liberam as vendas, 21% compra em cima da hora e 5% espera para ganhar o VIP.

Perguntamos, portanto, para quem espera pelo VIP os motivos. Os motivos foram variados como ‘’colaboro com a casa e sempre levo gente’’, ‘’gasto muito em bebidas e compenso o ingresso’’, ‘’conforto’’ e ‘’já que outras pessoas ganham, por que eu não posso?’’.

Os motivos são entendíveis, sim, quando pensamos no lado do consumidor, entretanto ainda não cobrem o custo que a organização teve que cobrir com o caixa da festa, pois quem queria ir simplesmente optou por não comprar ingresso. E quando a festa não libera cortesias, 81% dos participantes da pesquisa afirmaram que acabam comprando de última hora.

Ou seja, a grande maioria não teria problemas financeiros para garantir a presença antecipadamente, até porque comprar o ingresso no dia do evento sai bem mais caro. 37% afirmou que tem noção que este tipo de atitude é prejudicial aos produtores, 28% afirmou que não considera, enquanto 35% ainda não havia refletido sobre esta perspectiva.

O objetivo aqui é virar essa chave. Pensar mais no coletivo e no bem-estar da nossa cena. Se queremos bom soundsystem, iluminação de primeira e os maiores DJs do mundo aqui, precisamos apoiar quem está fazendo a roda girar. Esse pensamento vale tanto para grandes festivais quanto para os pequenos clubes/produtores, que têm enfrentado dificuldade para se manter no jogo. O custo está elevado para todo mundo e para o público também, mas a cultura do VIP pode ter efeito reverso, ao invés de baratear, pode aumentar seu custo dentro do evento para compensar o ingresso que ficou pra trás.

Por Adriano Canestri

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