Durante todo o ano de 2025, o debate envolvendo horários de festas, novos formatos como brunches, cafeterias e festivais durante a tarde, e o bem estar da comunidade clubber esteve muito presente na bolha dos fãs de música eletrônica. Por vezes, pudemos presenciar matérias afirmando que a noite estava acabando em decorrência da mudança de hábitos da nova geração e dos clubbers que já atingiram seus 30-40 anos.
Sempre com muito cuidado, a House Mag aborda o debate de forma ponderada e analítica, de forma a entender o que de fato está acontecendo no mercado de eventos e até onde a dita decadência das festas e casas noturnas é verdade, assim como neste artigo AQUI publicado em maio.
Seguindo essa linha, fizemos mais uma breve pesquisa com nossos leitores entre ontem, 25, e hoje, 26, sobre este tema.
Foram cerca de 200 participantes, dentre os quais 37% têm entre 18 e 25 anos, 31% de 26 a 32 anos, 22% de 33 a 40 anos e 10% estão acima dos 40.
Questionados sobre o horário de eventos que preferem curtir, apenas 9% respondeu que são aqueles que terminam até as 00h, enquanto 35% ainda fica com a madrugada. Mais da metade, 52%, disse não ter preferência, ou seja, o foco é curtir música boa. 4% afirmou não frequentar rolês neste momento.
Só com essas duas perguntas, já é possível ver que a maior parte do público que frequenta normalmente os clubes e festivais (entre 18 e 35 anos, segundo o TSE Entertainment) ainda está fechado com a madrugada. Um ponto de extrema importância é que mais de 100 pessoas afirmaram não ter preferência em relação ao horário, o que é importante para os produtores que podem se arriscar em eventos de diferentes formatos e para a cena que se mantém aquecida de várias maneiras ganhando novos adeptos.
Em espaço aberto para a manifestação dos leitores, vimos alguns comentários como:
- ‘’Pra mim o importante é a música e os amigos, e não o horário’’ (Vitorino Lopes)
- Não tem tempo ruim!’’ (Matheus de Souza)
- ‘’Gosto do sunset para dormir a noite bem. Mas, de noite pros clubbers é elite!’’ (Deinyffer Marangoni)
- ‘’Gosto dos dois, são propostas diferentes e ambas interessantes’’ (Lívia Lucas)
- ‘’Gosto de ficar até amanhecer’’ (Ingrid Gonçalves)
- ‘’Sou do psytrance, então quanto mais longa a festa melhor. Ver o sol amanhecer na pista <3’’ (Faustino Barros)
- ‘’Quando vai até de manhã é difícil aproveitar tudo por causa do cansaço e sono’’ (Gabriel Borotto)
A última pergunta da pesquisa era: ‘’quando você vai à um evento que acaba cedo, costuma procurar um after?’’ E o resultado foi 65% favorável ao after, enquanto 35% se mostraram amigos do fim.
A cultura dos rolês de noite/madrugada é algo que esteve lado a lado desde o início com a formação da nossa cena clubber e a pista não parece estar mudando tão rapidamente. Novos formatos são extremamente bem-vindos, desde que bem executados e adaptados ao modo de viver e curtir do brasileiro, pois isso valoriza a música eletrônica nacional. Contudo, a coexistência de ambos estilos de se curtir uma festa é fundamental para todo mundo, entre produtores, público, DJs, trabalhadores e patrocinadores.
Com essa rápida interação com vocês, parece ser mesmo este o caminho que está sendo traçado para um futuro próximo. Diversidade de eventos, propostas e sonoridades para que quem ainda está ativo na vida de rolês possa aproveitar da forma que fizer mais sentido para si.
E aí, qual o seu melhor jeito de curtir?
Por Adriano Canestri
