JP Castro: entre a intimidade do piano e a grandiosidade dos palcos, um retrato da nova cena eletrônica brasileira

Seu último lançamento, ‘Through My Mind’, alcançou o Top #5 do Beatport Hype em Melodic House & Techno.

Entre os nomes da nova geração da música eletrônica brasileira, JP Castro se destaca pela maneira de equilibrar emoção e técnica em suas produções. Com passagens por festivais como Tomorrowland BrasilLaroc e Green Valley, além de um closing especial para Black Coffee, o artista constrói sua identidade sem recorrer a atalhos fáceis. No estúdio, tem no piano o ponto de partida, transformando melodias em narrativas que refletem diferentes estados de alma.

Em seu mais recente lançamento, ‘Through My Mind’, pela gravadora ERRORR, ele aprofunda essa busca. Criada em parceria com o cantor europeu Lacey, a faixa nasce de uma experiência pessoal de JP, mas se abre em uma narrativa de conexão universal. O reconhecimento veio rápido: em poucos dias, entrou para o Top #5 do Beatport Hype em Melodic House & Techno, confirmando a força da sua identidade sonora. É um mergulho íntimo que atravessa a pista e encontra no fone de ouvido um espaço igualmente potente. 

Nesta entrevista exclusiva à House Mag, JP Castro reflete sobre seu processo criativo, suas inquietações e o papel que deseja ocupar tanto na cena brasileira quanto no circuito global.

Você é conhecido por começar quase todas as suas produções ao piano. Em ‘Through My Mind’, a melodia parece carregar a essência da faixa. O que havia nessa linha inicial que fez você decidir que ela seria “a história a ser contada”?

Foi como se eu tivesse conseguido dizer tudo o que queria antes mesmo de existir uma letra. Essa melodia carrega a alma da faixa. Eu costumo ver a técnica como ferramenta, mas a emoção sempre guia o meu processo criativo. Quando encontrei esse acorde no piano, a música praticamente pediu para nascer dali. Difícil até pra explicar, porque faço isso de uma forma muito instintiva. A melodia nasce da minha cabeça e depois que encontro a base, eu desenrolo o arranjo de forma muito rápida.

A parceria com o Lacey foi feita totalmente à distância, algo cada vez mais comum. Como você vê esse modelo de colaboração?

Acho que quando existe uma ideia forte e sinergia verdadeira, a distância deixa de ser obstáculo. Escrevemos a letra e melodias como se estivéssemos lado a lado, mesmo com oceanos entre nós. Esse processo mostrou como a música pode realmente ultrapassar fronteiras, mas não vou negar que também adoro sessões presenciais em estúdio. Acho que dá pra se expressar de ambas formas, cada uma com suas particularidades.

Sua trajetória já inclui marcos como tocar no Tomorrowland Brasil e dividir palco com nomes como Eric Prydz e Steve Angello. Onde ‘Through My Mind’ se encaixa nessa narrativa?

Vejo minhas músicas como complementares, nunca como opostas. Pra mim, ‘Through My Mind’ é uma afirmação da minha identidade, um capítulo que dá continuidade a tudo o que venho construindo, em outras palavras, é como se fosse mais um capítulo do meu livro. Acho que quem nunca ouviu nada meu, se parar pra ouvir, vai sentir que eu coloco muita emoção em tudo. Se não me emociona, eu não me dou por satisfeito… cada música pra mim é uma evolução do meu ser artístico.

A ERRORR é uma label que trabalha forte o conceito visual. O que te atraiu nela para lançar esse single?

Na minha opinião, a ERRORR é uma gravadora que conecta bem o Brasil e o mercado internacional, e essa faixa tinha a essência que casava perfeitamente com o DNA deles. Quis que esse lançamento tivesse também essa dimensão conceitual, que amplifica a experiência da música. Acho que tem tudo a ver.

Você já viveu momentos que muitos DJs sonham: lineups com ídolos, festivais gigantes, gigs memoráveis. Quando olha para frente, o que ainda te provoca frio na barriga?

Sim! Realmente tenho vivido sonhos nos últimos anos! Sonhos que se alguém me falasse há alguns anos atrás, eu até duvidaria… mas trabalhar com música, com arte é algo mágico… se fosse pensar em um próximo, diria que tocar no Ultra Music Festival Miami e Tomorrowland Bélgica. São palcos que ainda quero conquistar, não pelo status, mas por tudo que representam e também pelas conexões que oferecem.

Sua música soa híbrida: cabe tanto na pista quanto em uma escuta íntima. É algo consciente ou consequência da forma como você compõe?

Na verdade, eu sempre faço algo que eu ame tocar, independente do meu objetivo com aquele som. Eu acho que nunca teria coragem de dar como finalizada uma música que eu não amo, sabe? É muito louco isso, porque é uma entrega surreal de verdade. Busco criar faixas atemporais, que cada pessoa receba de uma forma diferente. Acho que esse é o poder da música: se adaptar ao momento do ouvinte, seja na multidão ou no silêncio do quarto. Gosto dessa liberdade criativa, mas sempre atrelado à algo maior, que é a identidade que construí.

Para encerrar: quando o público ou a indústria vir o nome “JP Castro” em um lineup ou playlist daqui a dois anos, o que você gostaria que viesse à mente?

Essa é uma boa pergunta! Gostaria de despertar não apenas na indústria, mas nas pessoas de maneira geral, um sentimento de alegria, de saber que vamos nos encontrar nos shows, nos conectar juntos e com a música… A música tem esse poder de conectar a gente num nível muito profundo, sabe, acredito que todo artista busca um pouco isso.

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