É comum pensar em plantas e fungos como seres vivos meramente passivos, o que trata-se de um erro. Estes organismos são capazes de sentir, comunicar-se e aprender. Assim como os seres humanos, árvores e cogumelos emitem impulsos elétricos através dos micélios.
O site Ecolmeia define que o micélio é uma parte do cogumelo que se expande abaixo do solo criando uma rede de conexão entre todas as espécies vegetais, algo assim como a rede da internet, que lhes permite não só se comunicarem, mas também cuidar, proteger, alimentar e abastecer-se de água.

A partir dessa evolução da vida na Terra, músicos e cientistas tiveram a ideia de extrair o som de cogumelos e plantas. Eles conectam eletrodos para captar os impulsos elétricos e os ligam em aparelhos eletrônicos como sintetizadores, que convertem em notas musicais. A partir de então é possível manipular o som, deixar que os cogumelos produzam sua própria música e até fazer um show com uma banda, deixando a batida da natureza ser o guia.
Fato interessante é que existem milhares de espécies, cada uma capaz de gerar impulsos diferentes em velocidade e intensidade. Ou seja, o som nunca será o mesmo por esse fator e pelas condições da natureza no local de produção. As músicas geralmente seguem uma linha ambiente e hipnótica.
Modern Biology é o exemplo de um artista que une música indiana e seus conhecimentos em biologia para extrair o som da natureza e manipulá-lo em tempo real em sintetizadores e outros equipamentos analógicos.
Já o grupo Bionic And The Wires utiliza braços biônicos para construir a música. “Ligamos as plantas através de um equipamento que mede os sinais bioelétricos internos da planta, e isso é convertido numa linguagem musical chamada MIDI, que depois é traduzida em sinais motores, que é a forma como os braços robóticos se movem”, disse um dos integrantes à agência Reuters.
Esses projetos não só criam experiências sonoras fascinantes, mas promovem uma reconexão profunda com a natureza. Eles questionam visões antropocêntricas, revelam a inteligência vegetal e lembram: sem essas redes vivas, a vida humana não existiria.
Você já tinha ouvido o som da natureza?
Por Adriano Canestri
