O que muda e o que permanece na nova fase El Fortin?

Conversamos com Ricardo Carissimo, membro da nova administração do club sobre a reabertura e o que esperar desta nova fase daqui em diante.

Após anunciar o encerramento de suas atividades em abril deste ano, o El Fortin surpreendeu a cena eletrônica brasileira com uma reviravolta histórica: sua reabertura já está marcada para o dia 09 de agosto, celebrando duas décadas de trajetória. 

No comando desta nova fase está o produtor e empresário Ricardo Carissimo, da Co.llab Entretenimento, que agora se junta ao time de sócios para dar início a uma etapa de renovação, preservando o legado do clube que moldou gerações e trouxe grandes nomes da música eletrônica ao Brasil.

Nesta entrevista exclusiva, Ricardo compartilha sua visão para o futuro, revela os bastidores da retomada e explica o que muda — e o que permanece — no novo El Fortin.

House Mag: O encerramento do El Fortin, anunciado em abril, surpreendeu muita gente. Agora recebemos a notícia da reabertura. Como essa virada aconteceu e o que motivou essa nova fase? 

Ricardo: Quando o anúncio do fechamento do El Fortin veio à tona, eu sabia que não podia deixar que uma história de 20 anos se apagasse tão abruptamente. Com um propósito claro de manter o legado do clube e superar os desafios, eu me comprometi a encontrar uma solução.

A música eletrônica é mais do que uma paixão para mim — é um estilo de vida. E o El Fortin, com sua importância na cena e no sustento de muitas famílias, não podia simplesmente desaparecer.

Junto ao meu time, decidimos reestruturar e revitalizar o clube, garantindo que o seu legado continue a inspirar e unir a comunidade. Estamos prontos para novos desafios e para levar o clube a um novo patamar.

HM: Você chega agora como novo sócio do El Fortin em um momento simbólico: os 20 anos da casa. Qual é a sua visão para essa nova fase e o que te motivou a aceitar esse desafio?

R: Chegar como novo sócio do El Fortin justamente quando a casa celebra seus 20 anos é, sem dúvida, um momento muito especial — e uma grande responsabilidade. O El Fortin é um ícone da cena eletrônica no Brasil e na América Latina, e minha visão para essa nova fase é honrar esse legado ao mesmo tempo em que abrimos espaço para a inovação.

O que me motivou a aceitar esse desafio foi exatamente o potencial de escrever um novo capítulo na história do club. Acredito na força da música para conectar pessoas, criar experiências únicas e transformar noites em memórias inesquecíveis. Nossa proposta é manter a essência do El Fortin, mas também trazer novos olhares, tecnologias e conexões com o público e com artistas do mundo todo.

Estamos preparando uma nova curadoria artística, reestruturando os espaços e pensando em como podemos elevar ainda mais a experiência de quem vive essa pista. É um recomeço — não de algo que terminou, mas de algo que se reinventa com ainda mais propósito.

HM: O El Fortin tem uma história profundamente ligada à liberdade sonora e à valorização da cultura de pista. De que forma vocês pretendem preservar esse espírito que sempre moveu o clube?

R: O espírito do El Fortin sempre foi movido por algo maior do que apenas a música: é sobre liberdade, pertencimento e respeito à cultura de pista. E é justamente esse DNA que queremos manter vivo e pulsante nessa nova fase.

Nosso compromisso é preservar essa essência criando um ambiente onde a curadoria artística continue sendo ousada, diversa e livre de rótulos. Vamos seguir abrindo espaço para sonoridades autênticas, artistas visionários e experiências que transcendam o palco , colocando a pista no centro de tudo.

Também entendemos que a liberdade sonora não existe sem respeito à comunidade. Por isso, queremos fortalecer ainda mais a relação com o público, os DJs, os coletivos e os profissionais que fazem essa cena acontecer.

O El Fortin sempre foi sobre se entregar à música sem medo, e é exatamente isso que queremos continuar oferecendo: um lugar onde todos possam se expressar livremente, viver o agora e sentir a verdadeira magia da pista.

HM: Quais serão as principais mudanças nesta nova fase do El Fortin?

R: Essa nova fase marca um recomeço com propósito — sem perder nossa essência, mas olhando firmemente para o futuro. A principal mudança está na forma como pensamos a experiência completa do público, desde a curadoria até a gestão e estrutura.

Na curadoria artística, vamos explorar novas sonoridades, trazer conexões internacionais, valorizar talentos emergentes e buscar narrativas que façam sentido. Queremos que cada evento tenha uma identidade própria, que converse com o público e com a energia do momento.

Na gestão, entra uma mentalidade mais colaborativa, moderna e conectada com os valores da cena atual — como diversidade, inclusão, sustentabilidade e transparência. A chegada de novos sócios e parceiros também abre espaço para ideias frescas e uma visão mais ampla sobre o que o club pode representar.

Já em estrutura, estamos repensando ambientes, pistas e experiências sensoriais para entregar algo ainda mais imersivo. Tudo foi pensado para elevar o padrão e criar noites memoráveis — da entrada ao último beat.

O público pode esperar um El Fortin que honra sua história, mas que está mais vivo, ousado e preparado do que nunca para os próximos 20 anos.

HM: A reabertura já chega com um lineup robusto e um artista inédito no clube, o inglês Deeper Purpose. Como tem sido o trabalho de curadoria e quais critérios guiam a escolha dos artistas nessa nova etapa?

R: A curadoria do El Fortin sempre foi um pilar fundamental — e nessa nova etapa, ela ganha ainda mais atenção e intenção. Estamos trabalhando com muito cuidado e sensibilidade para criar lineups que não só agitem a pista, mas que contem histórias, provoquem sensações e respeitem a identidade do club.

A escolha de artistas como o inglês Deeper Purpose, que se apresenta pela primeira vez no Fortin, mostra justamente esse desejo de trazer nomes inéditos, com sonoridades que dialogam com o momento atual da música eletrônica global, sem perder o vínculo com o que faz sentido para a pista do El Fortin.

Nossos critérios vão além da fama ou do hype. Olhamos para a conexão artística, para a energia que cada artista pode oferecer ao público e para a diversidade de estilos que fazem parte da cultura clubber. Também buscamos manter o equilíbrio entre nomes consagrados, talentos nacionais e apostas que acreditamos ter muito a dizer.

Mais do que montar escalas, estamos desenhando experiências. E essa curadoria é construída com o coração na pista e o olhar no futuro.

HM: O El Fortin sempre foi conhecido pela diversidade e pela entrega de experiências imersivas. A ideia das três pistas continua? Haverá mudanças nesse formato?

R: Sim, a diversidade e a entrega de experiências imersivas continuam sendo o coração do El Fortin. A ideia das três pistas permanece, mas com um toque a mais em que iremos desativar uma das pistas e trazer outra ainda mais imponente, pois acreditamos que cada espaço deve oferecer uma atmosfera única que dialogue com diferentes sonoridades e públicos.

No entanto, nessa nova fase, estamos trabalhando para aprimorar ainda mais esse formato, investindo em uma curadoria mais apurada para cada pista, melhorias na infraestrutura e na ambientação, garantindo que a experiência seja ainda mais completa e imersiva.

Queremos que o público sinta que, ao transitar entre as pistas, está vivenciando verdadeiros universos sonoros diferentes, mas sempre conectados pela energia e pela paixão que definem o El Fortin.

HM: Estamos em um momento em que a cena eletrônica passa por transformações importantes no Brasil. Como você enxerga o papel do novo El Fortin dentro desse cenário atual e nos próximos anos?

R: A cena eletrônica no Brasil está em plena transformação; mais profissional, mais diversa e com um público cada vez mais exigente e conectado. Dentro desse novo cenário, enxergamos o club como um agente ativo e relevante, que tem não apenas a responsabilidade de acompanhar essas mudanças, mas também de impulsioná-las.

O novo El Fortin nasce com um olhar mais estratégico e sensível, respeitando a história que o trouxe até aqui, mas também com coragem para inovar. Nosso papel é o de ser um espaço que celebra a cultura de pista em todas as suas formas: com liberdade artística, inclusão, experiências imersivas e uma curadoria que une tradição e novidade.

Nos próximos anos, queremos que o El Fortin continue sendo referência — não apenas como club, mas como plataforma de conexões culturais, formação de público e valorização da música eletrônica como expressão artística. O Brasil tem um enorme potencial nesse cenário, e estamos prontos para fazer parte desse crescimento com consistência e propósito.

HM: Depois dessa grande reabertura, o que o público pode esperar do El Fortin nos próximos meses? Já existem expectativas de novas datas?

R: O público pode esperar uma nova fase do El Fortin ainda mais intensa, conectada e preparada para entregar experiências memoráveis. Essa retomada não é pontual — ela marca o início de um novo ciclo, com uma agenda consistente e uma curadoria pensada nos mínimos detalhes.

Já temos novas datas confirmadas nos próximos meses, e cada uma delas será tratada como um evento único, com propostas artísticas distintas e estrutura sempre evoluindo.

As pessoas podem esperar colaborações inéditas, artistas internacionais e nacionais de peso, ativações sensoriais e melhorias contínuas na experiência de pista. Estamos construindo uma nova história, respeitando tudo o que o Fortin representa, e quem viver essa reabertura já sentirá a energia do que está por vir.

HM: Por fim, o que você diria para os clubbers que viveram a era clássica do Fortin e também para os novos que vão conhecer o clube pela primeira vez nessa reabertura?

R: Para quem viveu a era clássica do El Fortin, meu convite é: voltem com o coração aberto. Vocês fizeram parte de uma história que marcou a cena eletrônica brasileira e mundial — e agora, têm a chance de ver essa história continuar, com o respeito que ela merece, mas também com a ousadia de um novo tempo. As memórias continuam vivas, mas estamos prontos para criar novas juntas.

Essa nova era é feita para todos: os que ajudaram a construir o passado e os que vão impulsionar o futuro. O Fortin é de vocês. E a pista está pronta.

Por redação

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