A cena eletrônica de São Paulo respira por todos os lados, onde qualquer final de semana você pode ver algum grande player global se apresentar, seja do estilo que preferir. Porém, é inegável o crescimento da cena progressiva na selva de pedra. Nos últimos meses tivemos eventos com o Warung Tour trazendo Guy J e Ezequiel Arias, o Sunsetstrip de Hernan Cattaneo estreando no país e agora o E-EDGE traz novamente dia 29 de novembro um dos pioneiros do estilo após mais de 15 anos.
Estamos falando de Anthony Pappa, um ícone da cena Australiana e que está novamente em um grande momento. Junto dele vem Aubrey Fry, um dos queridinhos de John Digweed e considerado um grande nome para o futuro da cena.
Conversamos de forma exclusiva com o artista que estará em tour pela América do Sul nas próximas semanas.
Olá, muito obrigado por essa entrevista Antonny.
Certamente a Australia é um dos polos da cena eletrônica global atualmente, em especial no progressive house, certo? Como tem visto o surgimento de novos artistas em seu país?
Sempre tivemos uma cena musical incrível e artistas talentosos aqui na Austrália desde o início dos anos 90. Com a ascensão das mídias sociais, a Austrália ganhou mais atenção no cenário global, permitindo que as pessoas descubram alguns dos eventos, clubes e festivais incríveis que temos aqui.
Há também algumas ótimas gravadoras da minha cidade natal, Melbourne, incluindo a Vapour Recordings, a Meanwhile Recordings, a Tor/nn e a Late Night Music. Todas elas apoiam ativamente lançamentos de talentos locais e produtores de toda a Austrália, o que é fantástico de se ver.
Você faz parte de uma geração de pioneiros dos anos 90 que ganharam o mundo nos anos 2000. Como foi aquela época para você, sendo convidado para compilar álbuns na GU e Renaissance?
Foi, e ainda é, uma época incrível. Aqueles anos foram mágicos para a nossa música e para a cena, à medida que se desenvolviam e se espalhavam pelo mundo. Sinto-me abençoado e grato por ter feito parte desse movimento. Lançar álbuns com a Renaissance e a Global Underground foram definitivamente momentos cruciais na minha carreira — pontos em que tudo deslanchou.
Vários artistas da sua geração perderam espaço com o boom do EDM em 2010, agora vemos muitos deles voltando a fazer tours globais no pós-pandemia. Como você observa esse ressurgimento da cena progressive house?
O boom da EDM pode ter roubado a cena e conquistado a atenção das massas com seu som comercial e amplo apelo. A música comercial sempre será mais popular que a underground, mas, para mim, a música progressiva nunca desapareceu — ela sempre esteve presente. Tocamos esse som desde o início e continuamos a fazê-lo à medida que ele evolui com as influências e estilos de produção de vanguarda mais recentes.
Temos uma geração incrível de produtores sul americanos, especialmente argentinos, mas também muitos brasileiros. Quem você mais tem acompanhado por aqui?
Sim, concordo plenamente — a cena musical na América do Sul é incrível. Faço turnês e tocando por aí desde o final dos anos 90 e tenho acompanhado seu crescimento e fortalecimento ao longo dos anos. Na minha opinião, Hernán Cattáneo tem sido um verdadeiro líder e um embaixador excepcional, não só para a Argentina, mas para toda a América do Sul. Através de sua gravadora, Sudbeat, que ele administra com Graziano Raffa, eles apoiaram e proporcionaram inúmeras oportunidades para que artistas emergentes fossem descobertos.
Alguns dos meus artistas favoritos da região incluem Mercurio, Larrosa (AR), Nico Sparvieri, SACK (AR), Mike Griego, Ezequiel Arias, Paul Deep, David Calò, Graziano Raffa, Gian Luka, Paul (AR), FOLGAR, BLANCAh e Gui Boratto.
Eu tive a chance de ver você tocando no Balance Festival pela primeira vez, era um dos nomes que eu precisava riscar da minha lista e foi realmente especial. Dava pra ver sua alegria, junto com amigos pioneiros como Danny, Dave e Quivver. Como foi participar do festival?
O Balance Festival foi realmente incrível e muito especial — não só para mim, mas para todos que estavam lá. O amor, a paixão e a energia de todos os DJs e frequentadores do festival estavam no auge, dava para sentir a forte conexão e o espírito de comunidade durante todo o evento. Foi ótimo ver os outros DJs chegando cedo para apoiar uns aos outros, passar um tempo juntos e interagir com os fãs. Foi perfeito, e mal posso esperar para repetir tudo em 2026.
Por Jon Fachi
