Raízes da cena clubber: A Hippopotamus, de Ricardo Amaral, foi um dos primeiros locais a valorizar o DJ no Brasil

Na década de 1970, o Brasil quase não tinha casas noturnas ainda. Era uma cultura que precisava ser desenvolvida e um mercado a ser explorado. Ricardo Amaral, inspirado por grandes centros da nightlife como Nova York, Londres e Paris teve então a ideia de abrir em São Paulo a Hippopotamus. Em 1974, o clube privé inaugurou trazendo novos conceitos para a noite paulistana e muita disco music que já era a sensação nos Estados Unidos. 

Um dos pontos importantes da Hippopotamus foi trazer ao país a importância do discotecário (como eram chamados os DJs à época) como o único guia musical da noite. Ricardo Lamounier, lendário DJ brasileiro, era responsável pela música das noites e ficou muito famoso por ser um dos primeiros a trazer a mixagem para cá, não somente trocando discos e músicas.

O sucesso foi instantâneo, o que levou Amaral a se aventurar em mais duas praças: Salvador e Rio de Janeiro. Na capital carioca, a Hippo – apelido dado pelos frequentadores -, aberta em 1977, tomou proporções nunca antes vistas no Brasil. A casa era sinônimo de glamour. Celebridades internacionais, músicos, atores, esportistas e membros da alta sociedade costumavam curtir a noite toda na casa. O local ajudou a popularizar o Rio de Janeiro como um destino turístico com a presença de nomes como Pelé, Prince, Paul McCartney, Ayrton Senna, Jô Soares e Elton John. E dessa forma, o local se tornou a casa noturna brasileira mais desejada entre o final dos anos 70 até a década de 90. Ricardo ainda se aventurou com empreendimentos em Nova York, que não duraram muito tempo pela alta concorrência.

O pioneirismo de Amaral levou a outros empresários a se inspirarem em seu modelo e abrir empreendimentos com a mesma proposta. Assim, a disco music e posteriormente o house começaram a se infiltrar aos poucos na sociedade brasileira e na vida noturna, além de cada vez mais DJs terem surgido neste período, popularizando a profissão no Brasil. 

Em São Paulo, a Hippo fechou em 1984 e em Salvador no início dos anos 90. A unidade de maior sucesso que operou por mais tempo foi a do Rio de Janeiro, que fechou em 2002 após alguns anos perdendo o fiel público dos tempos de auge. A ascensão de novos estilos como rock, pagode e sertanejo, além da crise econômica no Brasil e declínio do estilo clube privé foram outros motivos que levaram a Hippopotamus a encerrar as atividades.

Em 2017, um investimento milionário de Ricardo com seus filhos foi feito para reabrir a Hippo, entretanto o negócio não chegou a prosperar. Com mais de 40 anos trabalhando na noite, o empresário lançou um livro chamado ‘’Ricardo Amaral: Vaudeville – memórias’’ contando sua trajetória e histórias de todo este tempo.

Por Adriano Canestri

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