Nascido e criado na periferia de São Paulo, Riascode é hoje um dos nomes mais promissores da música eletrônica brasileira. Aos 22 anos, o DJ e produtor carrega em sua trajetória não apenas o talento musical, mas também a representatividade de ocupar um espaço que por muito tempo foi restrito na cena mainstream.
Seu som transita pelo afro house, mas também dialoga com outras vertentes da música eletrônica, sempre carregado por percussões com gingado, atmosferas densas e uma energia que mistura espiritualidade e dança. Se em anos iniciais da carreira na música, suas produções chegaram a circular com tons progressivos em gravadoras de destaque global, como a STMPD de Martin Garrix e a Controversia de Alok, agora, Riascode vive momento de consolidação no selo brasileiro Dawn Patrol Records, de Maz e Antdot.
A ascensão meteórica também se reflete nos palcos. Riascode já se apresentou em alguns dos maiores festivais do mundo, incluindo Tomorrowland Brasil, Lollapalooza BR e Ultra Music Festival Brasil, além de turnês internacionais com a crew da Dawn Patrol em cidades como Porto e Lisboa. Para ele, a ficha ainda está caindo:
“É difícil apontar um único momento, porque sinto que essa realização foi acontecendo aos poucos. Cada degrau consolidava um pouco mais o meu projeto, e de repente estava ocupando espaços em festivais como Lollapalooza, Tomorrowland, Ultra, DGTL… experiências que até hoje me parecem surreais.”
Mas, ao mesmo tempo em que reconhece o tamanho das conquistas, mantém os pés no chão: “Por mais que tudo isso seja enorme, eu nunca penso como se tivesse ‘chegado lá’. Pra mim, cada conquista é como se eu tivesse zerado e voltado ao ponto de partida, porque ainda existe muito a ser feito e consolidado. Essa mentalidade me mantém motivado e em constante movimento”, apontou.

Além da carreira, Riascode carrega consigo a força da representatividade. Negro e periférico, ele tem consciência do impacto de sua trajetória na vida de outros jovens que se enxergam nele. “Eu enxergo como uma responsabilidade. Muitas vezes meus fãs me falam o quanto se sentem representados por me verem ali, nessa posição, e como isso dá liberdade pra eles serem quem são, até na forma de dançarem na pista. Mas, ao mesmo tempo, essa responsabilidade vira combustível, nós é ‘pé na porta’ – é sobre mostrar que dá pra ocupar esse espaço, abrir caminho e manter o pé na porta sempre, com verdade e consistência.”
Riascode se vê como parte de uma geração que está expandindo os limites da música eletrônica brasileira no mainstream. Seu mais recente trabalho, uma releitura de “Baianá” do grupo Barbatuques, é exemplo disso: respeitando a essência rítmica original, mas trazendo camadas de Afro House e uma linha de baixo inédita, reafirmando que a cultura brasileira pode conquistar novos públicos sem perder sua identidade.
Leia a entrevista exclusiva completa com Riascode:
HM: Hoje você já tem passagens por festivais gigantes como Tomorrowland e Lollapalooza. Qual foi aquele momento em que você realmente percebeu: “ok, agora estou vivendo meu sonho”?
RIASCODE: Tem dois pontos que são muitos importantes sobre isso… um deles é que é difícil apontar um único momento, porque sinto que essa realização foi acontecendo aos poucos. Cada degrau consolidava um pouco mais o meu projeto, e de repente estava ocupando espaços em festivais como Lollapalooza, Tomorrowland, Ultra, DGTL… experiências que até hoje me parecem surreais. Mas não foram só os grandes festivais que me trouxeram essa sensação, estar em clubs renomados, os sold outs recentes e a energia do público cada vez que eu toco em uma cidade também me dão essa sensação de estar vivendo um sonho todos os dias.
O segundo ponto é que, por mais que tudo isso seja enorme, eu nunca penso como se tivesse ‘chegado lá’. Pra mim, cada conquista é como se eu tivesse zerado e voltado ao ponto de partida, porque ainda existe muito a ser feito e consolidado. Essa mentalidade me mantém motivado e em constante movimento. Vindo de onde eu vim, o que já conquistei é gigante, mas a verdade é que o game nunca acaba, só vai evoluindo e mudando de fase.
HM: Como você enxerga a sua representatividade dentro da cena eletrônica mainstream brasileira? Isso pesa como uma responsabilidade ou funciona mais como um combustível?
RIASCODE: Eu enxergo como uma responsabilidade, sim. Muitas vezes meus fãs me falam o quanto se sentem representados por me verem ali, nessa posição, e como isso dá liberdade pra eles serem quem são, até na forma de dançarem na pista. E isso é muito real, porque eu também vivo esse processo comigo mesmo. Mas, ao mesmo tempo, essa responsabilidade vira combustível, nóis é pé na porta, é sobre mostrar que dá pra ocupar esse espaço, abrir caminho e manter o pé na porta sempre, com verdade e consistência.
HM: Qual é o lado B do Riascode? O que você gosta de ouvir, ler ou assistir no tempo livre?
RIASCODE: Eu sempre gostei de tecnologia em geral, gosto de conhecimento, de praticar e estudar coisas completamente aleatórias. Eu sou bem nerd, gosto de muitas coisas que não têm a ver necessariamente com música, e consumo isso em formato de vídeo ou prática. Tenho muita dificuldade pra ler, então fico por aí buscando coisas interessantes.
HM: Existe alguma lembrança do início da sua trajetória que até hoje guia a sua relação com a música?
RIASCODE: Quando decidi não ter mais pressa. Isso até hoje me guia e eu não tenho pressa, eu trabalho o tempo que for suficiente para entregar algo que eu vá me orgulhar no final. Isso me leva a uma solidificação dos projetos muito maior, acho que foi minha maior lição como criador.
HM: Quando você não está produzindo ou viajando para shows, como gosta de aproveitar o seu tempo livre?
RIASCODE: Como falei das tecnologias ali, eu gosto muito de ficar suave, muito mesmo. Ir para academia todos os dias, ter uma rotina de um cara normal da minha idade, jogar um game, assistir uns vídeos, ter ideias, colar com meus parceiros pra ficarmos trocando uma ideia… E eu gosto de ligar também, toda hora tô ligando aleatoriamente pra alguém! Hahaha.
HM: Você tem afinado sua relação com a música brasileira a partir da produção musical de releituras e remixes? O que tem sido esse processo?
RIASCODE: Sim! Esse processo tem afinado muito minha relação com a música brasileira e com a minha pesquisa musical. Quanto mais mergulho nas obras daqui, mais percebo a genialidade e o valor único que a nossa cultura carrega. Cada releitura ou remix é um exercício de respeito e aprendizado, que amplia minha visão artística e a forma como me conecto com a nossa identidade, com o Brasil real.
Por redação
