Não é de hoje que o centro de São Paulo se tornou o principal reduto do país para colecionadores de discos e amantes da cultura analógica. Dezenas de lojas de vinil e sebos encontram-se espalhados pela região e, com a nova – ou não tão nova assim – onda dos listenings bars, foi natural que estes espaços se instalassem nessa região, afinal, a área é uma das poucas que ainda preserva a memória arquitetônica da cidade, e este cenário se sobrepõe a proposta de um bar de audição, onde a força motora é movida não pela intensidade vivida no lado de fora, mas sim pela frequência sonora que vem sendo resgatada por um público diversificado que busca não apenas se envolver com o que está sendo tocado, mas sim por todo o contexto que acompanha uma composição. Capas de discos, encartes contendo letras, ficha técnica, imagens e até os agradecimentos são apreciados por quem investe caro para adquirir um vinil, isso quando não estamos falando dos boxes especiais com ilustrações nos próprios discos, que muitas vezes acabam se transformando numa obra de arte que vai muito além da música.
Um desses personagens é o DJ e colecionador de discos Rodrigo Cury, que com quase 30 anos dedicados ao garimpo, aprendeu e continua aprendendo muito sobre música e sobre a definição do que seria este conceito. Na noite desta quinta-feira, 15 de janeiro, o personagem retorna aos toca discos do Major SP para apresentar um long set onde irá passear por diferentes vertentes da música eletrônica, que incluem desde sonoridades ambiente, até o techno minimalista, transitando pela sensualidade do electro francês, que marcou a fase de Rodrigo durante o início dos anos 2000, e claro, clássicos do house de Chicago, que sempre esteve ativo na vida do digger por estarem presentes nos boxes de CDs mixados do club Ministry of Sound, que durante os anos 1990, eram o sonho de consumo de qualquer amante da música de pista, pois na época não haviam muitas opções de consumo.

“Os anos 1990 foi uma fase de descobertas para todos que viviam aquilo intensamente. Me apaixonei pela cultura do disco não dentro da minha casa e sim quando minha mãe me levou ao Mercado Mundo Mix, onde via DJs como Mau Mau e Renato Lopes chegando com as cases, trocando os discos e isso tudo foi um divisor de águas na minha vida. Andava de skate e ao mesmo tempo em que apreciava o movimento punk, descobri bandas e projetos como The Prodigy, The Crystal Method e Chemical Brothers, que me identifiquei imensamente, pois transmitia toda aquela áurea vívida por um adolescente rebelde na época do colégio. Nesse período fui estudar na Inglaterra, local escolhido propositalmente, pois a capital inglesa vivia intensamente o grande boom com a chegada do gênero de Detroit. Voltei cheio de discos de techno, peguei noites com grandes artistas do gênero, comprava todas as revistas dedicadas para ler os “”top charts”” onde DJs como Laurent Garnier, Carl Cox, Sven Väth e outros da época listavam o que estavam tocando e essa era a nossa maneira de conhecer as músicas e chegar nos discos, em uma época onde não havia internet, o que tornava tudo muito mais interessante”.
“Esta noite no Major SP será muito especial, pois além de adorar frequentar o espaço, o local foi o primeiro que me abriu as portas para que eu pudesse mostrar algo que eu já queria faz tempo, fora a oportunidade de dividir a programação dos flyers com alguns artistas que eu sempre admirei, o que considero uma honra”.
O Major SP fica localizado na rua Major Sertório, 347 – região da Praça da República e funciona de quarta-feira a sábado sempre com DJs tocando em vinil. @majorbar.sp
