O DJ e produtor mineiro Viot vem se destacando não apenas na cena eletrônica nacional e internacional, mas também por sua relação profunda com o repertório popular brasileiro. Ao revisitar clássicos do rock, do rap e da música afro-brasileira, ele cria uma ponte entre gerações, conectando tradições culturais e a modernidade das pistas de dança.
Consolidado como um dos nomes mais promissores da música eletrônica brasileira, junto à sua capacidade de transportar elementos da cultura nacional para as pistas de dança globais, Viot traz lançamentos que circulam entre o Lado A – suas faixas mais populares e o Lado B – com sua construção mais conceitual da discografia. Ele alterna momentos de pista, com faixas fortes e autorais e mais elementos eletrônicos, com hits que atravessam fronteiras e ganham espaço em festivais, clubs e plataformas digitais pelo mundo.
Nesse contexto, a conexão de Viot com o repertório popular não é apenas uma escolha artística: é reflexo de um elo cultural que posiciona a música brasileira como protagonista de uma nova fase da eletrônica global.
Releituras que atravessam gêneros e gerações
Se no Lado A, Viot transforma músicas icônicas da cultura nacional em faixas de house e tech house, mantendo a essência original e acrescentando sua assinatura sonora, nada mais justo do que ouvir na prática. É o caso de “Blitz (Você Não Soube Me Amar)”, versão do hit da banda Blitz que viralizou nas redes e se tornou destaque nos sets do artista. Outro exemplo é “Lucro”, do BaianaSystem, que alcançou quase 2 milhões de visualizações em prévias antes do lançamento oficial, e foi lançado na última semana.
Viot também mergulhou no universo do rap nacional num dos clássicos do estilo com “Como Eu Te Quero”, do Black Alien, remix que ele co-produziu com Gabe. A faixa, originalmente de 2004, do disco de estreia do rapper de Niterói (Rio de Janeiro), ganhou nova vida e mais de 1,8 milhão de reproduções, mostrando a capacidade de Viot de ressignificar hits de diferentes épocas e estilos, conectando-os à música eletrônica contemporânea.
Outro exemplo é o grande sucesso da releitura de “Chove Chuva”, original de Jorge Ben Jor, e com remix de Viot e Let (BR), que reverbera com as apresentações do DJ por todo o país. Apesar do grande sucesso e das milhões de visualizações, não há qualquer previsão de lançamento do remix, que também ganhou suportes a nível internacional, de nomes destacados como Michael Bibi.
Pesquisa sonora e elementos culturais
O diferencial de Viot está em ir além da simples adaptação. Ele explora harmonias, ritmos e referências culturais, incorporando guitarra baiana, percussões afro-brasileiras e a cadência do samba, baião ou cumbia. Em “Lucro”, por exemplo, a energia política do BaianaSystem se encontra com a suavidade da house music, criando uma faixa única que agrada tanto fãs de música eletrônica quanto apreciadores da cultura popular.
Essa atenção aos detalhes demonstra que sua conexão com o repertório popular não é apenas estética, mas uma pesquisa musical profunda, valorizando a história por trás das canções e sua relevância social e cultural.
O Lado B de Viot
O lado clubber de Viot se manifesta de formas diferentes. Ele revela um artista que mergulha em atmosferas mais densas, experimentais e autorais. É nesse espaço que surgem faixas como Confession, lançada pela Revival NYC, ou Momentum, apresentada pela Casa Bonita, que destacam sua habilidade em explorar texturas minimalistas, camadas profundas de house e construções carregadas de identidade.
Esses trabalhos reforçam uma faceta mais introspectiva e conceitual de Viot, pensada para a pista, mas com forte preocupação estética, seja na sonoridade, seja nos projetos audiovisuais que acompanham os lançamentos. Ao equilibrar groove e pesquisa sonora, Viot consolida um repertório que não se prende ao óbvio, reafirmando sua versatilidade e a capacidade de transitar entre o pop das releituras e a sofisticação da música eletrônica contemporânea.
Uma identidade artística consolidada
Com turnês internacionais, shows em festivais renomados e números expressivos de visualizações, Viot constrói uma identidade que une inovação, técnica e respeito pelo repertório brasileiro. Cada releitura se torna um diálogo entre estilos, entre passado e presente, mostrando a força da música nacional e sua capacidade de se reinventar dentro do eletrônico.
Para além de hits clubbers entre sintetizadores e potência em charts, é esse olhar sensível e inventivo que faz dele um dos artistas mais originais da cena eletrônica brasileira.
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Por redação
