O encontro entre um projeto sólido, com décadas de trajetória, e outro promissor, que ainda está em seus primeiros anos, costuma render bons frutos, por mesclar a experiência e o frescor. É este o caso de “Stay a Bit Longer”, collab entre Julio Flores e Ketoots que chegou na última sexta-feira (10) pela conceituada gravadora Diynamic, de Solomun. Ouça aqui!
Com uma estética house refinada, equilibra elementos orgânicos e uma construção moderna, pensada tanto para a pista quanto para uma escuta mais imersiva, o novo single sintetiza bem a união entre os dois projetos.
Ao mesmo tempo que dialoga com o presente da música eletrônica, a faixa carrega um cuidado humano na produção – algo cada vez mais raro em uma era dominada pela tecnologia. A bassline pulsante, os vocais sutis e a progressão limpa criam uma atmosfera sensual e envolvente.
“Essa é uma música muito humana, especialmente em um momento em que vivemos uma era extremamente tecnológica. Ao mesmo tempo, ela aponta para o futuro, com um house mais moderno e elementos mais limpos”, diz Torres.
“Frequentemente nos perguntam qual é o gênero desse novo release. É engraçado, mas a gente realmente não se importa com essa categorização. Queríamos misturar linhas de baixo de disco, a energia do house e os beats quebrados do electro, e naturalmente isso se materializou em ‘Stay a Bit Longer’. Mais surpreendente do que ver essa fusão se materializar no estúdio, tem sido ver a resposta das pistas a esse som que veio do nosso coração”, complementam Bruno Fechine e Pedro Chaves, que formam o Ketoots.
O lançamento já nasce respaldado por nomes de peso como Solomun e Aline Rocha.
Julio Torres: três décadas de reinvenção na cena brasileira
Com 30 anos de trajetória e mais de duas décadas dedicadas à produção musical, Julio Torres é um dos nomes mais sólidos e versáteis da cena eletrônica brasileira. Natural de São Paulo, o artista construiu uma carreira baseada em consistência, reinvenção e, sobretudo, identidade.
Desde o início, suas produções foram moldadas por influências diretas das cenas de Chicago e Detroit – berços da house e do techno –, algo que ainda hoje se reflete em sua sonoridade. Mas, ao longo do tempo, Julio expandiu esse repertório, criando uma assinatura própria que transita entre house e disco com naturalidade.
Seus lançamentos por selos como Defected Records, Renaissance, Sony Music e Universal Music Group – além da própria Diynamic, onde já havia lançado um EP em 2024 – pavimentam o seu caminho.
“Depois de 30 anos na cena da música eletrônica, produzir e lançar mais uma vez pela Diynamic é algo muito especial. Para mim, é um sinal claro de que estou no caminho certo”, afirma.
A presença de Torres nos palcos acompanha o peso de sua discografia. Ao longo da carreira, ele construiu uma relação profunda com pistas históricas e festivais de grande porte.
Entre os clubes, destacam-se apresentações e residências em espaços fundamentais como o D-EDGE e o Greenvalley, além de passagens por templos internacionais como o Space Ibiza e o Amnesia Ibiza.
Já nos festivais, seu nome esteve presente em lineups de peso como Tomorrowland Brasil, Rock in Rio, Ultra Music Festival e Skol Beats, além de uma extensa agenda internacional que inclui países como Estados Unidos, Espanha, Portugal e Reino Unido.
A versatilidade de Julio Torres também se manifesta em seus múltiplos projetos, como Manimal (ao lado de Junior Lima), Dexterz, Crossover e Marsellie. Com o Manimal, alcançou um de seus maiores sucessos comerciais: “Human”, faixa que ultrapassou a marca de 55 milhões de plays.
Ao longo da carreira, colaborou com artistas de diferentes universos, como Sandy, Roberto Carlos, Lenine e Maria Gadú, além de nomes da cena eletrônica como Vintage Culture.
Seu trabalho também recebeu suporte de ícones globais como Carl Cox, Bob Sinclar, Laurent Garnier, Hernán Cattáneo, Steve Lawler e Nic Fanciulli – um indicativo claro do respeito conquistado ao longo dos anos.
Ketoots: de Salvador para o Brasil
Naturais de Salvador, mas radicados em São Paulo, Bruno Fechine e Pedro Chaves são os nomes por trás do Ketoots. Multi-instrumentistas desde cedo, os dois artistas de 26 anos prezam muito pela originalidade dos sons que compõem as músicas.
Por isso, sintetizam os próprios samples, manipulam gravações de maneira distinta e arranjam sob a perspectiva de musicistas.
“Normalmente, nossas músicas tendem a causar uma sensação de familiaridade ou nostalgia, trazendo à tona sentimentos e memórias. Muitas pessoas também comentam sobre as nossas basslines”, explicam.
Pedro é conhecido pelo projeto solo Ayze Buy, que já recebeu suporte de nomes como Dennis Cruz e Amine Edge, enquanto Bruno é membro da banda de rock independente Tangolo Manos, revelação na cena alternativa brasileira, presente em grandes palcos como o Circo Voador, no Rio de Janeiro.
Com lançamentos pela Cocada Records e na ativa desde 2024, o Ketoots bebe de fontes que vão de Daft Punk e Cassius a Michael Jackson e Skrillex, e já teve suporte de nomes como Mochakk, Sirus Hood, Aline Rocha e OSGEMEOS.
Por assessoria
