Lisbon Dance Summit revela agenda final e posiciona Lisboa como novo hub da cena eletrônica reunindo profissionais da Europa, Estados Unidos e, claro, do Brasil

O Lisbon Dance Summit, que acontece de 29 de abril a 2 de maio, marca o lançamento de uma conferência pensada para posicionar Lisboa dentro do ecossistema global da música eletrônica, em um momento em que o volume de eventos internacionais no país segue em expansão.

Reunindo agentes internacionais e locais, o evento reflete um movimento mais amplo de consolidação de Portugal como ponto estratégico de encontro entre artistas, empresas e operadores culturais em um setor avaliado em mais de 13 bilhões de dólares globalmente.

Realizado na Casa Capitão, o Summit combina painéis, entrevistas, workshops e sessões de networking distribuídas em múltiplos palcos. A estrutura foi desenhada para abordar tanto as dimensões criativas quanto operacionais da música eletrônica, incluindo desenvolvimento de artistas, gestão de direitos, inteligência artificial, circuitos de turnê, influência da mídia e expansão de mercado.

Os brasileiros Joyce Muniz e Nazen Carneiro, além de integrarem a organização se juntam a Rod B. (Ultra), Diogo O’Band (Nommad Media), From House to Disco, Wehbba e Cláudio Rocha Miranda Filho (Rock in Rio) como entrevistados. O evento reúne um amplo espectro de profissionais, que vai de Enrico Sangiuliano, Anja Schneider, Matthew Jonson, Juliet Fox, Patrice Bäumel, Sébastien Léger, Padre Guilherme, Victor Ruiz, KURA, Gayance, Inês Duarte, Luna Semara, OITO//OITO, Blanka Mazimela, Holdo, MXGPU, André Granada, Adriana Ruas, Dancast, Jude Natural, Kruella d’Enfer, Dannsen, Rick Offen e Vini Pistori. Também participam executivos e speakers como Finlay Johnson (AFEM), Jan-Willem Van de Ven (ADE), Annie Birkeland (Coalesce), Jesper Skibsby (WARM), Dani Deahl (The Recording Academy), Nicole Erfurth (Trésor), Katie Bain (Billboard), Carl Loben (DJ Mag), Paul Wiltshire (Songtradr) e Nazen Carneiro (NZPR), entre outros.

A programação final apresenta uma estrutura multifacetada distribuída entre WARM Stage, Academy Stage, LDS Lab e Studio Hub. Ao longo dos três dias, o conteúdo inclui entrevistas com artistas, workshops técnicos e painéis da indústria. Entre os destaques estão Enrico Sangiuliano abordando a evolução de seu projeto, discussões sobre distribuição, publishing e o papel da inteligência artificial na criação musical, além de sessões focadas em mercados como África do Sul, Brasil, Berlim e Ásia. Temas como saúde mental, construção de identidade artística e políticas de nightlife também fazem parte da agenda, ao lado de formatos de networking como o Face 2 Face Forum e mesas redondas que conectam profissionais de diferentes áreas.

Um dos pilares da edição é o Studio Hub, com curadoria de Joyce Muniz, que propõe um ambiente prático voltado à produção musical e ao processo criativo. A proposta reúne artistas que trabalham com diferentes metodologias, de sistemas modulares à produção digital e performances híbridas. Segundo Muniz, a ideia foi priorizar a diversidade de abordagens em vez de hierarquias, criando um espaço onde artistas em diferentes estágios de carreira possam trocar conhecimento. Workshops conduzidos por nomes como Alex Stein, Moullinex, Matthew Jonson, Wehbba e David Castellani exploram temas que vão de arranjo e performance ao vivo até inteligência artificial e processos criativos.

Além da programação diurna, o Lisbon Dance Summit se estende para a noite dentro do próprio venue. No dia 29 de abril, a opening night reúne artistas internacionais e locais em múltiplos andares, com sets de Joyce Muniz, Juliet Fox, Gayance e Inês Duarte. Já no dia 30 de abril, o espaço recebe uma ocupação completa com Blanka Mazimela, Holdo e MXGPU no palco principal, enquanto coletivos como ESR e Kokölò Records assumem outros ambientes. Essas noites funcionam como uma extensão direta da conferência, conectando discussão e prática em um mesmo contexto.

“Após uma primeira experiência multicultural realizada no ano passado em Lisboa por meio da WARM (World Airplay Radio Monitor), ficou claro que existe uma forte necessidade de criar espaços estruturados e inclusivos de diálogo dentro da cultura da música eletrônica. O Lisbon Dance Summit agora expande essa visão para uma plataforma que envolve toda a cidade, construída com base na colaboração e na responsabilidade compartilhada, mantendo-se profundamente conectada às comunidades que sustentam a cena”, menciona Jesper Skibsby, um dos fundadores.

Ao combinar conferência, performance e ativações pela cidade, o Lisbon Dance Summit posiciona Lisboa como um novo ponto de conexão dentro da rede global da música eletrônica, articulando a cena local com a circulação internacional. Para entender mais sobre essa proposta e a curadoria do Studio Hub, Nazen Carneiro entrevistou Joyce Muniz em conteúdo exclusivo para a House Mag.

O Lisbon Dance Summit acontece de 29 de abril a 2 de maio na Casa Capitão. A programação completa e as inscrições estão disponíveis em lisbondancesummit.com e no Instagram @lisbondancesummit.

Joyce Muniz

House Mag: Como foi desenvolvido o processo de curadoria do Studio Hub dentro do contexto do Lisbon Dance Summit e quais critérios orientaram a seleção de artistas e temas?

Joyce Muniz: Honestamente, não houve critérios rígidos para montar o line-up. Primeiro, quis entender quem estava na cidade, então fui atrás de pessoas que eu ainda não conhecia. Acabei frequentando muitos eventos e me conectando com quem vive aqui. No fim, virou uma mistura de profissionais com quem já tinha relação e artistas novos, mais jovens. Acho muito importante trazer diferentes perspectivas, porque a música eletrônica engloba muitos gêneros. Para mim, era essencial incluir diferentes estilos e personalidades, em vez de focar em um único tipo de artista.

House Mag: De que forma você buscou equilibrar diferentes níveis de conhecimento, de iniciantes a profissionais, ao estruturar o programa de workshops?

Joyce Muniz: Não existe uma regra fixa, porque mesmo artistas experientes têm formas muito individuais de produzir. Existem muitos caminhos diferentes para compor ou produzir uma faixa, especialmente na música eletrônica. Você pode trabalhar com plugins digitais ou com hardware, e é um processo muito intuitivo. Um artista como David Castellani, por exemplo, que trabalha com sistemas modulares, representa algo bem específico e avançado. Já outro pode conduzir um workshop apenas com computador. Mesmo assim, acredito que um pode aprender com o outro, porque cada abordagem é muito pessoal. Quando selecionei os artistas e conversei sobre as ideias de workshops, tratei todos da mesma forma. O mais interessante foi ver que cada um trouxe uma perspectiva completamente diferente. Como produtora, senti que poderia aprender e aproveitar todos os workshops. Meu objetivo foi apoiar cada artista a trazer seu próprio processo intuitivo, independentemente do nível de reconhecimento.

House Mag: O line-up combina nomes locais e internacionais com diferentes abordagens, da produção musical à inteligência artificial. Qual foi a lógica por trás dessa diversidade?

Joyce Muniz: A diversidade mostra ao público que existem muitas formas de evoluir, criar música e se conectar com o processo criativo. Também era importante trazer diferentes personalidades, porque a cena é muito diversa. Achei essencial incluir alguém focado em audiovisual, porque vídeo e imagem são muito importantes hoje. E, olhando para o futuro, gostaria até de incluir alguém especializado em iluminação. Também temos Moullinex falando sobre inteligência artificial. A IA já faz parte da produção musical há bastante tempo, só que agora está mais acessível. Muitos plugins já utilizam isso há anos. Então fazia sentido incluir esse tema. E também temos o Alex Stein falando sobre algo fundamental: quando parar uma faixa. A produção eletrônica pode parecer infinita. Quando você trabalha sozinho, é fácil se perder ajustando detalhes sem parar. Por isso, estou realmente animada para participar desses workshops.

House Mag: Na sua visão, qual é o papel de iniciativas como o Studio Hub no desenvolvimento de uma cena local como a de Lisboa?

Joyce Muniz: Acho que o Studio Hub é muito importante em qualquer conferência de música. Claro que existem discussões sobre mercado, promoção, labels e publishing. Mas, para mim, o mais importante é a arte. Antes de tudo, vem a criação. É a base de tudo. E acho especial termos criado um espaço como esse, aberto a todos, não só iniciantes, mas também artistas experientes. Sempre há algo novo para aprender.

House Mag: Considerando sua trajetória, que tipo de conhecimento ainda é pouco explorado em espaços como esse?

Joyce Muniz: Sempre há espaço para evoluir. Mesmo artistas consolidados estão constantemente aprendendo. Eu mesma busco novos plugins, faço cursos, participo de workshops. É um processo contínuo. Todo ano existe algo novo para desenvolver. Por isso, é tão importante ter espaços onde as pessoas possam aprender, trocar ideias e entender como outros trabalham.

House Mag: O Studio Hub propõe uma troca direta entre artistas e público. Que impacto você espera gerar após esses três dias?

Joyce Muniz: Espero que as pessoas saiam com algo que possam aplicar na própria música ou até que se sintam motivadas a começar a produzir. Também queremos que novas conexões surjam a partir desse encontro. A ideia é criar um espaço relevante de troca, onde diferentes perspectivas possam ampliar horizontes.

Os ingressos estão disponíveis. A conferência acontece de 29 de abril a 2 de maio na Casa Capitão. Todas as informações estão em lisbondancesummit.com e no Instagram @lisbondancesummit.

Por Nazen Carneiro

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