Nostalgia absurda: Black Eyed Peas, Rock in Rio e o hiphop-pop-eletrônico que conquistou o mundo

Poucos grupos são tão universais como o Black Eyed Peas. Sua carreira começou em 1995, mas foi nos anos 2000 e 2010 que viraram uma metralhadora de hits – e isso atravessou vários cenários musicais, do pop à eletrônica. 

Dia 6 de setembro, no Rock in Rio, vai ser a nossa vez de curtir o BEP de novo, pela segunda vez no festival. Bora de “recap”?

Will.I.Am e APL.DE.AP se conheceram na adolescência e já foram chamados de Tribal Nation e Atban Klann – daí até virarem Black Eyed Peas foram alguns flops e trocas de membros. Em 1995, com a entrada do Taboo e da cantora Kim Hill, a sonoridade também mudou do gangsta rap para um som mais comercial.

Após dois álbuns e a entrada do BEP na trilha de Legalmente Loira, Kim Hill saiu do grupo por querer ser política como o grupo era antes, mas a label a queria sexy. Para substituí-la, até mesmo uma Nicole Scherzinger pré-Pussycat Dolls quase entrou. Mas tudo mudou mesmo quando chegou a Fergie. 

Nasceu então o disco “Elephunk”, em 2003. Quem viveu a época sabe que as faixas “Where Is The Love”, “Shut Up” e “Let’s Get Started” tocavam nas rádios toda hora – além de “Hey Mama”, com o sample da música brasileira “General da Banda”.  

“Elephunk” traçou de vez o caminho do BEP no pop. E quando lançaram o álbum “Monkey Business”, o Black Eyed Peas já era febre global. “Don’t Phunk With My Heart”, “Don’t Lie” e “My Humps” foram hits estrondosos dessa era, mas se tem uma faixa que conquistou mesmo o Brasil foi “Pump It”. 

Todo esse sucesso tornou o Will.I.Am um produtor de alto calibre e Fergie quase uma entidade pop própria – fato consolidado com o álbum solo “The Dutchess”. Tudo isso em 2005, no mesmo redemoinho do “Monkey Business”. 

“Ah mas podia ter tido BEP na praia no Rio também, né?”. Teve, em 2007. Tudo bem que não foi em Copa, e sim Ipanema, mas serve. E foi naquele mesmo ano que Will.I.Am teve o momento “eureca” de explorar a música eletrônica. 

A mesclagem dance-rap-pop se deu com o álbum “The End”, em 2009, quando todo mundo já achava que o fim do grupo era inevitável devido à sua dispersão — Fergie e Will.I.Am de um lado como estrelas, Taboo e APL.DE.AP de outro, mais “antissociais”. 

Mas o nome do álbum era mais uma zoeira. O tal “fim” do álbum era mais um recomeço no eletrônico, com o single “Boom Boom Pow”. Agora o som não era mais orgânico; era compassado, feito totalmente por máquinas e com a energia clubber que culminou no maior hit da história do grupo: “I Gotta Feeling”. 

Não tinha um lugar no mundo onde não se ouvia “I Gotta Feeling” e, por ter sido produzida por David Guetta, a faixa furou a bolha eletrônica e virou um item cult classic no set dos DJs da EDM. É muito difícil acontecer hoje um hit tão universal como aquele.

Mas ainda teve fôlego pra mais hit, tá? “Meet Me Halfway” foi direto pro #1, teve também “Imma Be” e “Rock Your Body” e o Black Eyed Peas tocou até na abertura da Copa do Mundo da África. Will.I.Am continuou a flertar com o “festival EDM”, trabalhando com Steve Angello e fazendo hits EDM para divas pop como a Jennifer Lopez. 

Em 2010, o álbum “The Beginning” foi o próximo passo, seguindo a fórmula do anterior, só que com mais auto-tune. “The Time” era o carro-chefe – que sampleava a famosa trilha do filme Dirty Dancing – seguido de “Just Can’t Get Enough” e “Don’t Stop The Party”. 

E aí, de fato, justo no que era pra ser o “começo”, a banda entrou em hiato depois de “The Beginning”. Tempos sombrios vieram pro Taboo, aliás, que teve câncer testicular e só curou em 2015. Por fim, nenhum sinal da Fergie um dia voltar pro grupo. 

J Rey Soul foi a substituta da Fergie nos shows dali em diante, embora o BEP se divulgue como um grupo de três homens. O naipe comercial do grupo deu lugar ao saudoso clima de consciência social no álbum “Masters of The Sun” (2017), e o “Translation” experimentou ritmos latinos em 2020. Era o Black Eyes Peas descansando da pista de dança 4×4.

Mas isso é o que é bonito no grupo. Fizeram o que quiseram, sendo criticados ou não. Foram underground, foram pop, foram criativos e cada membro teve liberdade de fazer projetos próprios se quisesse. Se reinventaram inúmeras vezes, se ajudaram e, hoje, o BEP é como um organismo modular, com uma história lendária que marcou o mundo.

E você? Vai estar no show do Black Eyed Peas no Rock in Rio? Qual música do grupo você mais curte?

Por Rodrigo Airaf

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